Páginas

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

SOBRE VERSOS

Gosto de versos simples e sem rodeios
Minha ânsia por algo claro e preciso é demais
Já basta os devaneios e passeios da minha mente
Ao menos dos outros eu quero o meu oposto
Mas é impressionante como sempre me deparo com os meus semelhantes
Mesmo no meu oposto tem um pouco de mim
Negando a mim mesmo é de mim que reflete a oposição
O oposto de mim também sou eu
O verso de mim
O verso que procuro
Seja o verso numa poesia
Seja o verso do que sou
No avesso do que fui... ou não

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

Obrigada


Recebi o selo do Dallas Diego do blog Escritos ao Acaso.
Muito Obrigada pelo carinho e pela lembrança meu querido!
Beijos e carinho a todos
P.P.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

DAS POSSIBILIDADES


Se o mar acalmar e a correnteza parar de me levar
Se a chuva passar e as barragens pararem de cair entre a nossa estrada
Se amanhã o sol resolver iluminar o meu dia
Se a ponte que me leva até você não se partir
Se os deuses conspirarem ao nosso favor
Quem sabe assim a gente um dia volte
Porque no momento presente, não vejo espaço para o nós além daqueles que atamos.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

SOBRE MINHA ESCRITA [2]

Não tenho obrigações com o tempo. Escrevo o que me acontece e o que me faltou acontecer. Escrevo como gostaria que tivesse sido. Coloco vírgulas e pontos onde bem entendo. Volto ao passado e no instante seguinte já estou em meu futuro. Não tenho compromisso com a verdade. Não faço jornalismo. Não relato fatos. Minha única obrigação diz respeito aos meus sentimentos.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Afetos Fragmentados


A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom...
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia não passar,
“O ser vil que passou pra servir...
Pra discernir...”
Pra pontuar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir...
com outros olhos!

(Amadurescência – Fernando Anitelli)

Obrigada


Recebi esse presentinho do Blog Retrato e gostaria de compartilhar com vocês queridos companheiros que vem aqui me prestigiar e sempre me deixam palavras de carinho, afeto e incentivo. As Regras são essas:
- Exiba a imagem do selo;
- Poste o link do blog que te indicou;
- Indique 10 blogs de sua preferência;
- Avise seus indicados;
- Publique as regras.
Eu indico todos os blogs que estão nos meus favoritos, pois acredito que todos são merecedores.
Beijos e carinho a todos!
P.P.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Afetos Fragmentados


POETISA
Tenho. Mias do que você sabe. Mas não encontro. Mergulho no fundo do que sinto, fico fascinada e só cato bobagem. É como eu sonho. Aliás sou como todo mundo. Dentro de mim há coisas inacreditáveis que me dão uma plenitude que não existe aqui fora. E quando acordo não sobra nada. Se tento recordar, só lembro bobagem. Acho que esta percepção é minha contribuição original. Por dentro eu sou maravilhosa. O que consigo expor a mim mesma é medíocre como... como um concretismo. E o pior é que eu sei disso.

PSICANALISTA
O que você faz é bom.

POETISA
E se for? Basta? Ser bom é pouco.

PSICANALISTA
Você é muito boa.

POETISA
Ainda é pouco. Eu não me contento comigo mesma.

PSICANALISTA
(Lê atentamente o que ela lhe deu.) Isto é... muito bom.

POETISA
Não dá. Minha ambição me sufoca. Eu conheço o extraordinário. (Sai repentinamente)

(Livro “Kaos” de Millôr Fernandes – págs.: 48 e 49, Letreiro ANGÚSTIA)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SOBRE O OLHAR


Sinto falta de simplicidade. De um olhar terno que me olhe e me veja apenas o que sou. Sem antes ou depois. Apenas o agora basta. As expectativas frustram.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ASAS


Eu já tentei te fazer voar, mesmo ficando sempre em terra firme. Agora chegou a minha vez de conhecer os ares. E infelizmente, meu bem, não foi você quem me deu asas.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

DO QUE QUERO DA VIDA


Quero uma vida inventada com contornos e formas que só eu sei decifrar e desvendar.
Quero um mundo de carrossel. Montada num cavalo com o vento nos cabelos e um fundo musical contente. Algo bem próximo do que penso da felicidade.
Quero uma história simples, sem muitas vírgulas e pontos finais, mas que tenha muita exclamação. Sem muitos cenários e grandes heróis, apenas simples camponeses.
Quero cores não planejadas, fruto de experiências nunca vivenciadas e que não poderão jamais ser copiadas. A aquarela toda se refaz.
Quero assim algo original, que não se pareça com nada que já tenha acontecido antes, que vejam e pensem: “É tinha que ser ela”.
Quero que no fim entendam que aquilo que tinha pra mim como riqueza, só tinha valor na minha história no enredo que eu criei. Que no fim de tudo eu fui feliz.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 25 de janeiro de 2009

Afetos Fragmentados


"[...] Vamos ser da mesma boca
A mesma oca cheia de sal
Cheio de sol
O sal do mar e a luz
Vamos de sol pra dourar
O que há de bom
O que há de bom tom
Como se beijar a sós sem que os olhos vejam
E escancarar a cor ali
Vamos ser de um só
Um, meu bem e bem aqui
Na boca do estômago que arrepia
Que esfria
Vamos ser da boca do sol [...]"

Pequenos olhos - Cibelle

Obrigada



De coração gostaria de agradecer a Willa por ter me presenteado com esses dois selos. é muito bom receber o carinho daqueles que nos visitam e nos acompanham. Não sou seguidora de correntes, memes e selos. Não irei presentear isoladamente alguém específico, mas todos aqueles que estão em meus favoritos sintam-se presenteados e merecedores.
Obrigada mais uma vez minha querida!
Beijos a todos!

sábado, 24 de janeiro de 2009

VIDA ONÍRICA


E é de noite quando já estou só em meu quarto, prestes a apagar a luz para me deitar, que os sentimentos mais profundos e tristes me invadem. Penso: “Não sou feliz.”. Quase me afogo e num ultimo suspiro acredito que ao dormir amanhã será um novo dia. Meus sonhos realizam por mim meus desejos submersos. Enfim acordo e acreditando ter concretizado meus sonhos e assim busco outros para mim. Até que chega a noite e...

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

SOBRE A MINHA SAUDADE

É vazio que não se preenche.
É dor que não se nomeia.
É falta que nem sempre é da pessoa que causou.
É falta de sabe se lá o quê
Que arranja um algoz para aparecer.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

BRINCADEIRA DE CRIANÇA



Então tá! Voltaremos a ser crianças.
Brincaremos de pique-se-esconde.
Eu escondo o que sinto por você
E você esconde o que sente por mim.
Apesar de eu preferir brincar de pique-pega.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

PONTO FINAL

E não posso deixar de pensar o quanto foi bom o que vivemos. Mas que há coisas que tem de haver um fim. E por mais que doa somos nós que devemos escrever o ponto final e se for preciso com tinta não lavável.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PELO MEU PRAZER




O que faço é pelo meu prazer.
Então me desculpe se eu te deixar
Quando não me fizer mais gozar.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 17 de janeiro de 2009

TEM ALGUÉM AÍ?

Parada. Estou parada. E o que mais me incomoda nesse estado é que eu poderia continuar ou descer e fazer outro caminho. Mas não. Eu estou parada e simplismente só. Parada não no sentido de reflexão. Parada no sentido de nada a se fazer. Sem movimento. Sem ação. Nem masturbação mental tenho praticado ultimamente. Besteira total essa coisa. Eu preciso de incomodação, de inquietação, de amolação, de encheção de saco. Preciso de tudo aquilo que me tire dos eixos. Porque anda tudo parado e não é pra balanço é pra acomodação mesmo. Tá tudo tão bem acomodado que num levanta uma palha pra se mover. E desde quando o mundo é perfeito que assistir novela num comove mais? Pois é até isso veio a calhar. Anda tudo num estado de dormência, mas nem o furmigamento eu tenho sentido. Nada. Nada. Nada. Nem barulho de grilo. Nem canto de cigarra. Está tudo morto.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

INSTANTES DEGRADÊ


Acordei e o mundo estava em degradê.
Havia desde as cores mais vivas até as mais pálidas.
Momentos nos quais a intensidade era tanta que não me deixava ver.
Em outros não via pela falta de vida.
Eram momentos e momentos.
Cada instante num respirar mas carregado de tudo.

Tudo passava como se o momento seguinte não dependesse do que passou.
O fato é que eram momentos unos
Não havia relação de dependência
Era como se tudo fizesse parte de tudo
Com cores diversas
Momentos espaçados
Sentimentos extrapolados

Ás vezes tão quente
Ás vezes tão frio
Ás vezes tão vivo
Ás vezes tão morto

Mas junte todos os ás vezes numa só.
Numa sensação...
Sem espaço...
Sem tempo...
Sem duração...
Não era ora um, ora outro.
Era tudo junto em instantes degradês.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

SOBRE MINHA ESCRITA


Não gosto do que escrevo. Não sei se quero mais escrever. Tenho sentido dificuldades de ser nas palavras. Me parece que os sentidos ficam nas entrelinhas. Queria ser mais explícita e estancar menos meus sentimentos. Ando tendo problemas com o indizível. Eu já escrevi melhor. Ou ao menos, me reconheci mais no que escrevia. Agora não me vejo em nada que escrevo. Minha visão anda turva. Vejo embaçado. Embaçado é minha escrita. Não há clareza. Ás vezes há clareza demais. O claro também embaça. O problema é a intensidade. O de mais e o de menos. Muito e pouco. Claro e escuro. É sempre culpa da intensidade. E esse tal do equilíbrio que se esconde de todos nós.
Tenho sido repetitiva. Vejo o mesmo que tecla, tecla, tecla. As mesmas dores, os mesmos anseios, os mesmos medos. Arre! Alguém avise pra essa menina que é hora de crescer. O mundo evolui sempre. As coisas andam, seguem em frente, vão à diante. Não se pode sempre ficar. É preciso aprender a partir. Acabar as coisas. Estabelecer pontos finais. Há essa ordem de começo, meio e fim. Não se pode sempre estar no começo ou no meio. É preciso que haja o fim pra que outras coisas possam começar. O começo é vida, é intensidade, é fervor. É bom ficar preso a ele, pois tudo sempre tem cara de novo. O meio muitas vezes pode ser monotonia e momentos sem emoção. Por achar que já se sabe tudo. Mas pode ser segurança de saber onde está. De saber o que percorreu. Já não é mais começo, então já não se é tão inocente, mas também não é o fim, então ainda tem o que se viver. O fim? Esse é tormento. É tortura. Pois te leva a perspectiva do nada. Do vazio que pode ser o que quiser. É muito difícil essa total liberdade de poder se preencher de todas as cores do mundo. A aquarela das mais infinitas cores em sua mão para pintar a tela em branco que você voltou a ser. Começar do nada. Do zero. Um novo sonho de existência. É, o fim assusta.
Fiz contornos, rodeios e mudei de assunto. Como sempre faço. Como sempre vivo. Mas a verdade é que não gosto do que escrevo. E isso é um fato não uma constatação.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 11 de janeiro de 2009

ARDOR DE FERIDAS


Hoje o doce começou a sair de minha boca e comecei a sentir um sabor amargo. Digamos até que um pouco cítrico. Tipo quando a boca está cheia de feridas e faz arder. Pois é estou ardendo por dentro. Minhas feridas começaram a latejar. Eu odeio sentir o amargo da vida. Entra seco garganta a baixo. Parece que nem toda a saliva de nossa boca pode conter o seco que o amargo deixa. Pois é estou secando. E jatos de água saem de meus olhos. A vida é mais simples se não a complicamos. Quem disse que distância é separação? Pelo contrário pode ser um dos mais forte meios para se unir almas. Até porque quantas pessoas estão fisicamente perto e com almas tão distantes uma da outra? A distância pode reaproximar almas. Isso acalenta um pouco meu sofrimento, mas as feridas continuam a doer.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 10 de janeiro de 2009

COISAS QUE O TEMPO FAZ


Eu estou com você só por comodismo. Já que estamos juntos há um bom tempo e tu sabes com quantas gotas de adoçante gosto de tomar o meu café. Gosta da coxa e eu do peito da galinha o que faz com que nunca tenhamos brigas no almoço. Prefere os bombons de frutas e eu os de chocolate puro. Preparas a cama e por mais que goste de dormir no canto da parede o cede para mim. Esquenta meus pés gelados de noite colocando os seus em cima do meu. Na hora da novela você lê o jornal enquanto eu na hora do futebol saio com as amigas.Até nas fotos de família saímos bem juntos. Enfim, é que o tempo passa e já não me reconheço mais sem você mesmo que tenha deixado de ser eu mesma em sua companhia. O nosso amor virou costume e troca de boas maneiras. Fazemos ótima companhia um pro outro.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

SOBRE O QUE SE ESVAI

Vejo você escorrer entre meus dedos e sinto que estou te perdendo. Me vejo fraca e sem forças pra lutar. Na verdade nem sei se quero essa tal luta. Comprar briga por algo que já nem sei se quero mais pra mim. Talvez por isso deixei nosso amor dissolver. De sólido ficou líquido. Agora está a ponto de evaporar. Tenho medo do nada. Tenho medo de depois do tudo que vivemos reste só o vazio do não ter. Do não se querer. Do não lembrar porque um dia estivemos juntos. Nos reste apenas as não lembranças de fatos que vivemos. Do que um dia prometemos ser pra sempre. Do que hoje talvez não nos reste nem passado na lembrança.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

PRIMEIROS PASSOS


Num lugar de paz. Que podemos respirar e se sentir. Entrar em contato com nós mesmos, com aquilo de mais íntimo. Em suas curvas que se fazem e refazem com o vento percebo que assim também sou. Mas é o tempo quem modela as curvas de minha vida. Que me faz seguir. Que me faz virar. Ora para a esquerda. Ora para a direita. As suas dunas de areia quase brancas ao meio dia e amareladas no fim da tarde. Seu encanto me fez sentir a pureza das coisas. Respirei e me senti. Estou viva. É comecei a me sentir. E acho que sei porque não tenho me sentido. Não por falta de vida, mas por falta de tempo para parar e sentir a vida em mim. Engraçado! Vivo a dizer que estou parada. Que não me movo. Que sempre fico. Pena que esse estado seja pacífico a ponto de nem parar pra me perceber. Se fosse ativa ao menos em pensamento. Pois tive que ir até o paraíso para me encontrar de novo. E voltar ao inferno me fez ver que posso trazer o paraíso pra cá. Ainda não sei como. Mas estou à procura. Digamos que já não me sinto mais tão parada assim.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

EU QUE NEM SEI...


Eu que nem sei quem sou tenho buscado saber quem é você.
Eu que nem sei de meus gostos tenho querido saber os seus.
Eu que nem sei de mim...
Eu que não sei nada de mim...
Quero tudo.
Tudo o que vem de você.
Como se ao descobrir quem tu és descobriria sobre mim.
Como se você fosse minha própria identidade.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A FUNDO

Tenho me escorrido por entre rachaduras do chão. Me deixado penetrar no centro de tudo. Ido bem fundo além do que qualquer um foi. Só pra sentir o calor... o fervor... do perigo. Só porque ninguém foi e ninguém viu. Só porque o novo me excita, me instiga, me impulsiona. Me faz viver.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 3 de janeiro de 2009

PARADA NO TEMPO

Eu já perdi as contas de quantas bocas me perdi procurando a sua. Procurando teu gosto. Teu beijo. Você disse que tudo ficaria bem que cada um seguiria seu caminho. Mas eu nunca fiquei bem e será que você sabe disso? Você seguiu em frente me deixando pra trás e eu ainda estou aqui no mesmo local que você me deixou. Não que esteja a sua espera, mas é que não consegui me mover. Desde aquele dia minhas pernas ficaram paralisadas, enquanto que você parece que ganhou mais força para continuar. Eu queria saber o que sente quando ouve falar meu nome. Queria saber o que pensa ao meu respeito. Talvez se vanglorie de fatos e acontecimentos e sinta-se mais viril ao saber que ainda estou só. Arre! O que há com meu relógio do tempo? Há anos está quebrado e nada do que eu faça parece concertá-lo. Desde que parou marca a mesma hora e é como se meus dias fossem todos iguais. Ando a repetir gestos e sentimentos e não aprendo mais nada. Mundo insano que criei pra mim. Repetem-se os dias, as horas, os meses, os anos. E tudo é sempre tão igual.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

SOBRE ARMÁRIOS E SI MESMO


A procura de nós mesmo acabamos por encontrar um ser desconhecido. Tão oculto de nós mesmos que fica difícil acreditar que somos o que não somos. Pois é... esse mistério da existência humana. Ninguém sabe por completo de si ou mesmo não se quer saber. Deixa-se tudo guardado em gavetas por arrumar. Junta-se pó e traças e recolhe-se apenas a roupa do dia-a-dia. Sabe-se que tem roupas que não usa mais, porém as deixa ali a espera de um dia arrumar tudo de uma vez. É difícil esse tal do desapego. Gruda-se a tudo com a esperança de preencher faltas. Ficando com o resto, com o ultrapassado, com o que não cabe mais. Até chegar um dia que terá que jogar todas as roupas fora e fazer um novo figurino. É... ando precisando arrumar o armário.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 27 de dezembro de 2008

PROMESSAS

Prometeu-me o mundo e nem o pó da estrada pôde me dar.
Prometeu-me o oceano e não me deu mais do que poças de lama após longas tempestades.
Prometeu-me o sol e não me deu se quer uma estrela pra meu mundo brilhar.
Prometeu-me todas as flores do mundo e nem ao menos um botão de rosa recebi.
E eu apenas pedi que me amasse.


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Afetos Fragmentados


"Estou me criando. E andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos. Dói. Mas é dor de parto: nasce uma coisa que é. É-se."

(Água Viva - Clarice Lispector)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ESCULTURAS DE GELO

Corpos frios e gelados é o que temos sido
Olhares frígidos sem expressão de afetos calorosos
Palavras de conveniência
Comentários inexpressivos
Morte em vida a dois
Uma espécie de contrato inquebrável
Nos parece impossível um adeus
Mesmo que a dor desse adeus seja menos danosa à que sentimos agora
Universo sem graça que criamos pra nós
O costume cristaliza corpos
Pára o mundo
Petrifica o tempo
Nos separar é como se nos quebrássemos em vários cacos
É morrer
Mata-se o que já está morto pra buscar vida
Reunir os cacos e buscar ressurgir
Reiventar-se buscando não o que se foi mas algo de novo
Entender que os cacos não precisam ser colocados nos mesmo lugares
Permitir buracos em busca de completude
Se dar novas formas
Se refazer
Se recriar

Num processo autopoiético

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


sábado, 20 de dezembro de 2008

Devaneios Meus

Procuro palavras, mas elas não vêm. Não vem. Não vem. Pesco cada letra tentando encaixa-las num enredo certo, correto e preciso. Mas tudo tem parecido pequeno e não bastante enquadrável naquilo que quero expressar. Faltam palavras e argumentações. Tudo tem sido pouco e quase nada. Não quero ter que regular a voltagem das coisas ao que preciso. Quero que ou esteja pronto ou que eu possa reinventar uma nova voltagem para mim. O que não existe eu invente. Deixa eu ferver a 6000º. Quero expelir tudo do núcleo do meu ser. E virar se não lava de vulcão. Não. Não. Pra que estética? Pra que condensar sentimentos em palavras classificáveis esteriotipadas? Não me venha falar de modelos, regras e leis. Moral? Ah me poupe sobre esses subterfúgios de um mundinho reprimido e escroto que não consegue ser o que se quer e julga o outro. O que é a moral se não o espelho repressor de tudo aquilo que você queria ser e não tem coragem.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

SOBRE QUERERES

Não, eu não quero o certo, o correto, o previsto. Não, eu não quero a precisão do destino que protege, que abriga, que nos impede de experimentar. Não, eu não quero a mesma precisão do destino que condena, que pune, que fere. Se for pra me ferir e me machucar que seja por mim mesma. Quero sangrar até a ultima gota. Fazer exposição da minha carne viva. Quero chocar e estremecer. Mas que não seja dito que foi o meu destino e sim que foram minhas escolhas. Eu quero sentir vida em mim, sentir tudo estremecer e ferver. Quero ardência em cada parte do meu corpo e se for preciso me queimar, então que assim seja. Chega de sentar na janela do trem e ver a vida passar como se eu não tivesse nenhum tipo de controle sobre ela.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 13 de dezembro de 2008

MULHER FERIDA

Pinga cada gota de sangue deixando rastros, passos e compassos. Ela que sangrava já nem sentia. Há dias a ferida aberta exposta, esperando talvez que alguém notasse. Ou não esperando nada apenas já não se sentia viva o bastante para cuidar dessa ferida. Devido ao seu estado de não-vida, já não podia sentir as fagulhas que dilasceravam seu corpo. Apenas estava sendo sem saber o que se era. Subindo os degraus da catedral parou diante do ultimo e entrou de joelhos. Dizia palavras e frases desconexas. Rogando por ajuda as preces eram sem nexo aos ouvintes de fora dela. Já não se lembrava das orações que havia aprendido quando criança então não ousou parafraseá-las, preferiu simplismente falar. Deixou que seu coração trouxesse as palavras do fundo de sua alma. Encharcada de lágrimas, sangue e desespero ficou ali a noite toda diante do pai, buscando lavar o resto sórdido de alma que ainda existia em si. Não buscava ajuda para um futuro, não buscava força para viver. Clamava apenas o perdão. No fim da madrugada, já amanhecendo ouvia-se os primeiros carros e ônibus nas ruas da metrópole. Levantou-se serena, a ferida já havia entrado no processo inflamatório, havia muito pus, estava bem inchada e ainda escorria sangue. Saiu da catedral e olhou a rua e os carros passando como flechas em sincronia. Poucas pessoas na rua, porém ninguém a olhava, era invisível a todos. Mesmo no seu estado de podridão, não tomava banho a dias o que fazia com que exalasse um odor desagradável. Ainda a olhar o movimento dos carros, foi andando calmamente em direção a rua e deixou que um deles a levasse em direção ao poste de um quarteirão depois da catedral. Era sua ultima tentativa de sentir a vida.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

NADA NÃO...

Eu só sei dizer
Quando nada quero dizer
Do nada tudo vem
E quando mais preciso dizer tudo
Me faltam palavras
O nada as rouba a hora que bem entende
Na verdade o nada vem do tudo
E o tudo não é nada
Ou será que é?
... Nada não deixa pra lá.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Afetos Fragmentados


"Sim, é claro
O universo é negro, sobretudo de noite.
Mas eu sou como toda a gente,
Não tenho eu dores de dentes nem calos, e as outras dores passam.
Com as outras dores fazem-se versos.
Com as que doem, irrita-se.
A constituição íntima da poesia
Ajuda muito...
(Como analgésico serve para as dores da alma, que são fracas...)"

(Álvaro de Campos)

sábado, 6 de dezembro de 2008

DESABAFO

Eu já cansei desses joguinhos de caça-palavras com suas charadas secretas que só você entende. Não quero méritos por acertos. Ganhar pontos como se estivesse numa competição. Cansei de ser a boazinha que passa a mão na tua cabeça e acata quando você se faz de desentendido e se diz vítima. Eu não sirvo pra certos jogos de sorte ou azar. Mostro minhas cartas de cara limpa. Não tenho medo de me mostrar. Foi-se o tempo que vivia cheia de disfarces e charminhos. Então me entenda bem meu bem, que eu não vou entrar nos seus jogos de novo. Se você quiser me convencer que tudo não passou de mais um estado alterado após sua embriaguez, fique sabendo que eu cansei. Cansei mesmo. Porque sou alguém que sempre te respeitou e não te pediu nada em troca a não ser isso. Eu tô ligando a porra do foda-se. Foda-se pra sua estupidez. Foda-se pra seus pedidos de desculpas depois. Foda-se se sou a mulher mais maravilhosa do mundo. Foda-se se eu te digo verdades e você converte a maneira que bem entende. Foda-se se quer continuar com essa merdinha de vida. Cansei de ficar me preocupando contigo e de poupar palavras duras. Eu simplismente estou farta do seu egocentrismo. Divirta-se com o seu umbigo.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PRECE


Penso no espírito que transcende o nosso corpo físico, que é apenas matéria que vira pó de volta a terra que veio. Porque dar tanto valor ao externo passageiro se é nosso espírito que reinará após a carne apodrecer e ser comida por urubus? Eu creio no espírito. Eu creio no espírito como parte da matéria que aqui vos fala. Me toco e porque não, minha mão é meu espírito e até a unha de meu pé. E vivo para respeitar cada parte de meu corpo como se fosse meu próprio espírito, que na verdade o é. Quando tu me machucas é meu espírito que feres e deixa marcas. Muitas vezes socos em meu corpo não doem tanto quanto palavras que são atiradas feito flechas na alma. Percorrem-na rasgando e dilacerando o ultimo suspiro de vida em mim. Porque insistes em sulcar minha ultima gota de esperança? Eu deixo que tu vivas como queres. Deixe-me viver à minha maneira. Se não respeitas meu corpo, ao menos respeite minha alma. Não te peço nada além de libertar meu espírito do corpo que você prendeu. Eu preciso seguir.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

BURACOS

Há certos momentos que fico farta de companhia. Eu preciso estar só comigo mesma. As pessoas enjoam. Principalmente quando tudo se repete e elas sempre voltam com as mesmas carências cobrando de você carências que te faltam. Não entendem que a carência que nunca deu é a que nunca teve. Há momentos que minhas faltas me bastam e não dá pra destapar meus buracos para preencher os alheios.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

FERIDA ABERTA


Estanquei o sangue de cada ferida.
Cuidei e limpei de maneira que não inflamasse.
Mas ainda me é irresistível a idéia de arrancar a casquinha mais uma vez.


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


domingo, 30 de novembro de 2008

ALQUIMIA



Daquele tipo que te pega por trás e sem pedir licença te rouba sua essência e penetra em você. Ficam ali a brincar com suas línguas enrolando uma na outra. Ora eu em você. Ora você em mim. Ora nós dois em nós. Mordidas leves e brutais nos lábios, daquele tipo que te suga até o que te falta. Brigando de espadas com suas línguas úmidas de licor de menta. Fez arder. E já não se sabia se era por conta da menta ou se era o fogo que saia de seus corpos. Ou se foi a própria alquimia dessa mistura quente que os fez entrar em combustão. Toda a pista pegou fogo e só se viu chamas no lugar.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

PASSAGEIRA



O mundo anda tão preto e branco. Tudo pulsa. Tudo treme. Tudo se move. Mas é tudo tão automático. O mundo tem andado no piloto automático. Quem é esse piloto gente? Alguém já viu seu rosto? Já lhe deram bom dia? Ele é alguém em que se possa confiar o mundo? É a vida passa... E ultimamente anda passando cada vez mais depressa. Meu passado me vem em flashs e não consigo conceber o quanto a vida é fulgás. Quanto já fiz de mim sem que soubesse o que de mim fazia. Tem dias que sou puro impulso e emoção. Outros a razão me domina de tal forma que me impossibilita de me mover. Enquanto isso a vida passa. O mundo gira. E o lugar que deixo quando volto já não é o mesmo. Tenho medo do retorno e do quanto pode ser frustrante ver certas mudanças. É difícil partir. Mas ainda mais difícil é voltar. Nada volta como antes. A vida anda passando pra mim. As pessoas andam passando por mim. E eu sou aquela que nunca volta. Eu sempre fico.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Afetos Fragmentados

"Redondo sem início e sem fim, eu sou o ponto antes do zero e do ponto final. Do zero ao infinito vou caminhando sem parar. [...] Eu sempre fui e imediatamente já não era mais. [...] Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro."

(Um Sopro de Vida - Clarice Lispector)

domingo, 23 de novembro de 2008

PEDIDO AO TEMPO


Peço tempo ao tempo

Para fazer o que desejo
Mas nem em meus sonhos eles cabem
Meus desejos transbordam os ponteiros.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 21 de novembro de 2008


Parece que tenho perdido a dose, o freio, o medo, o silêncio. Num processo de sentir tudo no qual o que fica é só o vazio do nada sentir. Quando muito se tem nada quer. Eu não quero nada, pois estou farta de tudo... Tudo o que me cerca. Tudo me parece velho e desinteressante. Ando precisando do novo, do desconhecido, do frio na barriga, do contato em carne viva. Consegui me desvencilhar das amarras que me prendiam. Mas mesmo solta não quero a liberdade. Quero me prender em alguém. Quero que alguém se prenda a mim. Mas é tudo tão velho e desinteressante.


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

PARTE DO TODO


Já não sei em qual abismo me deixei
É só corpo que levo
Só físico
Só matéria
É uma parte do todo


O mundo me reconhece como tal
Como todo
Mas eu não
Não me vejo
É apenas parte de mim que me move
A outra está morta
É estorvo
É encosto
É resto

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

NO ENCONTRO DA ESCRITA



Por que as vezes nos é tão difícil escrever? Me parece que as vezes os sentimentos não cabem em palavras e tentar definí-los é reduzi-los numa materialidade que não os cabe. É condensar a sensação num único valor, num só termo como se ele não pudesse ser vários. E no momento que o escrevemos apreendemos nele essa marca e ele deixa de poder ser qualquer outra coisa que pudesse vir a ser. As palavras tem peso. A escrita marca. O indizível quando dito parece que impossibilita o poder ser de outra maneira que não aquela. Não se pode voltar atrás. E quando se escreve se expõe. É impresso seu próprio eu ali nas palavras. Escrever é arriscar-se. Escrever é encontrar consigo mesmo. Registrar o que pensa e assinar em baixo. Eu quero escrever hoje uma coisa e amanhã escrever totalmente o contrário sem medo da culpa. Quero que tirem de mim o fantasma da escrita. chega de susurros eu quero gritar. Berrar para que todos ouçam meu grito. Vou escrever pura e simplesmente pro meu prazer. Escrever porque gosto. Escrever para o nada. Como agora que jogando palavras entrelaçadas no papel sem destino. Se por algum acaso elas chegarem até você, será por sua conta lê-las ou não. E nem tenho pretensão de agradar-te, fique pra você algo de bom ou ruim. Aquela que escreve já escancarou e chutou seus fantasmas. Só o ato de extravasar já me basta. Não quero reconhecimentos, nem pompas, nem festas. Eu quero despojar de mim mesma. É um exercício de tirar as máscaras e dar forma ao que não tem corpo. Dar nome ao que não tem nome. É na angústia que faço versos em busca de mim mesma. Escrevo pra me encontrar.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


domingo, 16 de novembro de 2008

É que não vejo razão em certas coisas. E não vejo porque manifestar alguma reação. Espero paciente pela minha hora. Mas que seja feita a minha vontade.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


sábado, 11 de outubro de 2008

OUTRO VOCÊ

Já perdi as contas de quantas bocas beijei para encontrar a sua. Me entreguei a vários amores sempre comparando ao nosso. Todo fim não me torturou tanto, pois nenhum foi igual ao que você deu a nossa história. Todos amores que tive terminaram no relâmpago da descoberta de que nenhum seria igual a você. Muitos beijos. Muitos abraços. Muitas carícias. Tudo isso em busca do seu toque, do seu beijo, do seu abraço. Uma busca em vão. Ninguém tinha o seu cheiro, nem chegava perto do seu tom de voz ao meu ouvido. Até descobrir que eu nunca gostei de você de verdade. Que nunca procurei você nos outros rapazes. Eu estava sempre em busca da idéia de alguém que não me quis por inteira. Estava em busca da forma desse alguém e era preciso que dessa vez ele me quisesse pra que esse “carma” fosse superado. E houveram muitos que foram como você. Houveram muitos melhores que você. Porém todos me quiseram. E no instante da confirmação do querer eu perdia a imagem de você nele. Tudo era desinteressante e eu ia em busca de um outro você.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-