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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

SOBRE A MINHA INDIFERANÇA





Eu não sei dos meus vazios

Desses frios na barriga
Desses nós na minha garganta
Eu não sei dos meus incômodos e calafrios
E a minha indiferença a tudo isso é o que mais me fere

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SOBRE MEU RITMO


Escolhi a velocidade do vento, por hora
Não quero ter tempo pra parar e observar como as coisas passam
Eu não quero pensar
Não quero
Ver cada verso no compasso da repetição
Rever cenas
Rever a minha vida todo dia repetindo o mesmo roteiro?
Alienar-se do óbvio!
Eu não agüento
Por hoje não
Deixa tudo rodar
Deixa seguir
Deixa ir
Eu acompanho no mesmo ritmo


sábado, 26 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

SOBRE "EU TE AMO"


Num mundo onde o “eu te amo” foi banalizado. Chegamos a tomar café da manhã espirrando um “eu te amo”. Meio que por acaso. Não era bem a intenção. Saiu. Não foi isso que eu quis dizer. Como assim não teve a intenção?
Eu perdida em toda a banalização que o “eu te amo” se tornou, não consigo dizê-lo. As pessoas que amo parecem ter que sentir o meu amor assim sem eu precisar dizer. Alguns deles são inclusive meus amores mais seguros, aqueles que não preciso reafirmar todo dia que amo a pessoa. Pois apenas no olhar a gente sabe. A gente sabe.
Mas sempre há aquelas pessoas que a gente sente que elas não sabem o quanto são importantes pra nós e a gente simplesmente não consegue fazê-las perceber isso. Elas são parte de nós, tem nosso apreço e sentimento mais profundo e todo nosso desconcerto faz com que ela não entenda as vestes do nosso amor. Nem sempre podemos nos fazer compreender por inteiro. Pois é, mas é desse tipo de “eu te amo” calado que me incomoda. Dessas entrelinhas indecifráveis escritas em braile. É preciso contato. Mais contato pra sentir. Por mais importante que seja pra mim ainda fica um abismo. A ponte do “eu te amo” ás vezes é estreita. Nem sempre estamos preparados pra atravessar. Com cada um tem um tempo. Um momento. E mesmo se não digo não quer dizer que eu não sinto. Ás vezes tenho medo do silêncio ou de respostas automáticas e vazias que minha fala pode causar no outro lado.


 
E "eu te amo" era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça.
(Clarice Lispector)

domingo, 20 de setembro de 2009

SAUDADE

Toda noite minha alma vai até você.




A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.
(Rubem Alves)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

MEMÓRIA



Fragmento que acontece movido de sentimento.
O que nos move mas também paralisa.
O passado presente futuro.
É verbo posto que está sempre em ação.
Aquilo que fica marcado na carne pingando sangue até o fim dos dias.




O que a memória ama, fica eterno.
(Adélia Prado)

domingo, 13 de setembro de 2009

DE CARNE EXPOSTA



Um instrumento afiado. Aprofundo em meus membros rasgando meu ser. Procuro vida, marcas, essência. Procuro um ultimo suspiro de clamor por auxílio. Eu me exponho em carne viva como carne exposta em açougue. Mas só as moscas mostram um interesse descontrolado por mim. Ficam ali a me posar, a me gozar, a me fertilizar. E eu continuo não sentindo nada.



terça-feira, 8 de setembro de 2009

DO TEMPO

Desses espasmos de abraços compassados
Desses faxos desencantados de embalos
Desses por vezes viris sentimentos
Dessas beiras de potências
Dessas maneiras
Dessas maneiras

O que será eu já não sei
Cabe o tempo no seu contratempo
Se dispor a desvelar o que a vida encobriu
Se assim nos for possível
Caberá então a cadeira no canto da sala
O assento da espera
A inquietude de esperar o que não se sabe
Essas maneiras
Essas maneiras

Vê se te mantém aí
Vê se nem chega mais perto
Vê se fica
Não volta

O tempo é corrimão de escada
A gente senta com cuidado
Mas nem todo o cuidado nos impede de deslizar rápido
Além do que poderíamos prever.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

SOBRE BOLOS E A VIDA


Tem momentos que a vida me lembra muito meu modo de preparar um bolo. Quando, mesmo que eu tente, nunca consigo bater as claras em neve. Fica apenas um liquido espumento, o que me frustra um pouco e me causa um certo receio de como isso poderá afetar o resultado final. Mas no fim aquele liquido insosso não tira a fofura de meu bolo.

sábado, 5 de setembro de 2009

DOS MEUS ENGASGOS



Toda pausa engasgada vem junto aquele sentimento de impotência. Pensei em falar tudo o que sentia e simplesmente descarregar todo aquele peso de mim. Mas tinha uma espécie de bolo, um excremento entalado na minha garganta e eu não pronunciei nada. Deixei o vazio. A aparência de um bem estar mal estado.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DA PRECISÃO






Tem coisas que se pode pensar rápido, outras sem prazo de validade pra expirar. Mas quando precisamos de tempo e nos dão um limite calculado... É preciso ser preciso na precisão. Sem medo de precisar a mira errada.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

DA PAZ [2]

Falei da paz que desejo pra mim...
Hoje se vem apenas uma leve calmaria acompanhada de uma brisa suave já me basta.
Tempos bons estão escassos.


Pintura: Gustav Klimt


sábado, 22 de agosto de 2009

PRONTO FALEI...


Meu lado mulherzinha ta enchendo a porra do meu saco ultimamente.

P.S.: Obrigada ao blog "O que elas estão lendo?" pela proposta do blog super bacana. Fiquei muito feliz por ter ganhado o livro no sorteio. Moças e até moçoilos porque não?! Entrem no blog e usurfruam das dicas e até promoções. O blog é muito bacana.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DO LUGAR QUE OCUPO


Me coloco sempre nesse mesmo lugar
No meio
Entre nada e coisa nenhuma
Fico sempre ali impedindo o trânsito
Mesmo que seja de facas atravessadas
Permaneço no meio
E acredito estar impedindo de fato turbulências
Sou alçada fácil para aqueles que querem fugir de suas responsabilidades
As tomo pra mim com tanta rapidez
Que só me pesa
Me pesa
Um peso que vem não por me colocar no meio
Mas por ser local de depósitos
Depositam em mim os lixos que eu tento repassar reciclados
E as farpas e marcas só ficam em mim
Será?
Pois os olhares atravessadas e frases não ditas continuam ali
E eu no meio
Bem no meio.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

SOBRE ESCULTURAS E ESSÊNCIAS HUMANAS

Ouvi uma vez uma frase de Michelangelo que dizia mais ou menos que a melhor maneira de julgar os elementos essenciais de uma escultura é jogá-la de um morro e as peças que não forem importantes vão se quebrar. Esse pensamento me ocorreu vagamente hoje e pensei que ao me atirar do alto talvez só restaria pó. Nada conseguiria se manter inteiro. É como se sentisse que a desintegração de mim hoje é mais fundamental do que a permanência desse corpo ambulante sem razão. Talvez do pó que sobrasse de mim em novos moldes formasse algo mais integro e verdadeiro do que sou. Mais fundamental ao que pode se chamar de ser e existência. Me falta então, coragem de saltar e conferir o que restará enfim. Porque nem sei ao certo o que quero dizer com tudo isso. Vem do que sinto. Mas os sentidos nem sempre conseguimos expressar integralmente com as palavras. Acho que talvez tenha a ver com isso. Quis tanto que me entendessem nos mínimos e de tanto simplificar perdi a essência da espontaneidade de me ser e errar. E não apenas errar, mas errar sem culpa, do tipo que pesa como se fosse a única pessoa do mundo que cometesse erros. Sendo que se trata de uma condição humana que vivo fugindo de cumprir, ou ao menos de mostrar que a cumpro. Então talvez acabe saltando no fim e convide uma enorme platéia pra anunciar as minhas falhas antes escondidas atrás de uma bela pintura.

domingo, 16 de agosto de 2009

SOBRE MEUS DIAS DE DOMINGO

A vida? O que espero dela? Com certeza mais do que venho fazendo de fato por mim. Minha vida tem sido uma espécie de amontoados de domingos sentada sozinha em frente a TV, assistindo filmes que me dão os suspiros que a minha vida não me dá. Tenho vivido através da vida de outras pessoas, onde no fim sempre o melhor acontece. Algumas vezes me decepciono pois queria mais emoção, mais amor, mais alegria, mais paixão. Entendi que o problema não é das histórias e sim das expectativas e responsabilidades que dou a elas. Como se elas tivessem a obrigação de suprir as faltas da minha vida. A verdade é que a história que quero pra mim não foi contada por ninguém e do jeito que ando a me mover nem em minha vida ela será.
Olhei pra mim bem de perto e vi alguém que tem tanto medo de ficar sozinha que se afasta das pessoas a quem consegue um mínimo de aproximação mais profunda. Talvez quem ache que me conheça leia isso e nem consiga me identificar nessas palavras, mas só eu sei do que falo e o quanto solitário é esse caminho. Semana passada decidi largar a análise, justamente por não conseguir me sentir a vontade o suficiente pra falar de verdade aquilo que realmente importa pra mim. Confiança. Ela me pediu confiança para que eu continuasse. Pois calada ou não a dor sempre está lá, se trata de que tipo de dor a gente quer para nossa vida. E tem sido um esforço grande continuar a ir duas vezes na semana, sentar no divã e me obrigar a pensar nas minhas feridas e desejos. Percebo que além de nunca ter confiado em ninguém o bastante, nem em mim mesma eu pude, pois até de mim escondi quem eu sou. Soube muito bem me esconder e agora parece tarde o bastante pra me encarar de frente e me ver tão humana e tão sem braços e com milhões de pernas. Com uns 5 talvez 6 ouvidos e sem nenhuma boca. E olhos? Ah, muitos e de várias cores e tamanhos. Então tento confiar meus membros e órgãos a alguém que espero que não os decepem, mas me ajude a tentar conviver com eles. E o que precisar ser arrancado fora eu mesma farei. Eu só preciso de tempo e não tenho certeza se será em curto prazo. Enquanto isso, vou me enchendo de dias de domingo, de uma calma necessária pra mim por hora.

sábado, 15 de agosto de 2009

QUANDO ME PROTEJO DEMAIS



Eu só queria amor
Amor e mais nada
(Caetano Veloso)






Cansada de fingir que não procuro o que quero.
Cansada de fingir que quero o que não procuro.
Cansada de fingir ser farsa o que é pura verdade em mim.
Então talvez eu me renda enfim.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Afetos Fragmentados



"São as pessoas que habitualmente me cercam, são as almas que, desconhecendo-me, todos os dias me conhecem com o convívio e a fala, que me põem na garganta do espírito o nó salivar do desgosto físico. É a sordidez monótona da sua vida, paralela à exterioridade da minha, é a sua consciência íntima de serem meus semelhantes, que me veste o traje de forçado, me dá a cela de penitenciário, me faz apócrifo e mendigo."

(Livro do Desassossego - Bernardo Soares)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SOBRE CERTEZAS E INTERVENÇÕES DE BOTECO

Que certezas que preciso pra poder dar mais um passo? Será possível que eu realmente consiga me preencher de certezas sólidas? É porque não tenho certeza do que quero e ela me parece tão necessária para que eu possa seguir. Não sei o que quero e nem sei se posso dizer que sei o que não quero. A verdade é que não tenho certeza de nada. Ando com tanto medo de arriscar em perder me esquecendo que posso até ganhar. Talvez a perda maior seja permanecer no mesmo e não me mover. Mas é que ando sem paixões a me mover e só locomoção pelo fluxo faz eu ver as coisas tão sem sentido. Pois é, eu tô sem sentidos e nada me comove nem me move. Nada é suficientemente atraente que me faça pensar na possibilidade de caminhar até lá pra ver, pra ao menos saber. Isso é um tipo de coisa que me incomoda. Mas é incomodação preguiçosa, daquelas que se faz sentada numa mesa de bar banhada a cervejas e cigarros na companhia de colegas e filosofias sobre a vida e nossos fazeres. Reclamamos da hipocrisia do mundo, da banalidade de nossos fazeres e delimitando cada uma de nossas insatisfações. Mas é tudo conversa que no dia seguinte só resta a cinza do cigarro e uma ressaca daquelas. A minha atitude é de sempre voltar a rotina do dia seguinte num conformismo idiota. Certezas precisam ser adquiridas na prática e não no filosofar sobre possibilidades. A conversa é boa, mas quando nossas práticas terminam em somente intervenções de boteco me preocupo com a fala vazia que sai de mim. Quando enfrentarei meus medos e arriscarei certezas pagando o preço de perder a possibilidade de tê-las?

domingo, 9 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

DOS ESPAÇOS ENTRE NÓS




Calou-te como sempre
Calei-te como gostas
Ardeu-me como desejo
Ardeu-me como peço
Nesses calos e ardores
Ficaram as dores necessárias entre nós

terça-feira, 4 de agosto de 2009

QUANDO ESCOLHI A DOR DA FALA


Andei me sentindo empazinada esses dias. Não sei ao certo como contextualizar isso ao meu momento, mas vamos lá. Sinto que descobri muito de mim em quatro meses de análise e num conflito interno cheguei a uma breve e tortuosa conclusão de que era hora de dar um tempo. Pensei que já não conseguia ir mais além do ponto que cheguei e escavar ainda mais e encontrar mais destroços é algo que não sei se poderia suportar. Fui completamente decidida a não dar um ponto final, mas colocar uma ampulheta de tempo. Dar um tempo pra tentar resolver esses bueiros destapados que tem dado a viver jogando merda pra cima e espirrando em tudo que eu faço. Antes só o fedô incomodava, mas agora a sujeira resolveu se mostrar de vez e por mais que eu limpe ela sempre retorna. Porque eu só limpo o lado de fora, mas a faxina tem que ser feita lá dentro sugando tudo o que não presta. Todo o entulho estragado. Toda a podridão de anos e anos que tudo permaneceu muito bem tapadinho e escondido.
Talvez aí tenha chegado no ponto do início da conversa, sobre estar empazinada. Talvez possa parecer contraditório, mas por mais que eu esvazie as coisas de mim mais me sinto cheia. Como se ao falar fosse me dando conta da real dimensão do banquete que tive. E que as coisas que falo na verdade só são aquele bolo de comida da superfície, mas que ainda tem muita coisa por vir. É só o primeiro engasgo.
Eu tentei convencer a mim mesma. Não consegui. Achei que se eu conseguisse convencer a minha analista do tempo que eu achava que queria eu poderia convencer a mim mesma. Batalha inútil que travei. Perdi com ela e comigo ao mesmo tempo. Duas derrotas num dia. Fico fugindo das dores como se fosse capaz de evitá-las. Como se me calar não causasse dor. Eu precisei hoje decidir com qual dor quero ficar. Precisei hoje escolher qual a dor quero que faça parte de mim. E hoje eu ainda fiquei com a fala. Não sei até quando o limite de suportar vai me permitir. Mas hoje, apenas hoje vou continuar dando espaço pra minha fala. Mesmo que ela não seja do jeito que eu queria que ela fosse. Mesmo que eu ainda sinta falta de um pouco mais de verdade e intensidade em mim. Ainda assim, vale mais a pena que me calar.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

VERSOS EM RETALHOS

Estou naqueles dias despedaçados. Que cada acontecimento nos parece um insulto do tipo de ato inaceitável. As coisas acumulam tanto comigo que quando uma coisa resolve aparecer vem tudo junto. E eu nem sei mais por que ou por quem são as lágrimas que encharcam meu rosto. Eu tão sentimental não consigo sequer compartilhar a dor que sinto com alguém. Guardo-a toda pra mim. Não consigo não pensar em não pensar. Não consigo não chorar mesmo sem querer chorar. Não consigo não conseguir. Quanta impotência meu Deus! Quanta inconsistência do meu ser. Nem versos profundos consigo escrever. Só esses retalhos mal acabados... Pra que escrevo? Pra que insisto em escrever nesses momentos? Essas palavras vazias só fazem desvalorizar e diminuir o que sinto. Eu que nem sei falar de mim tento falar do que sinto. Batalha inútil que travei com os pontos e vírgulas, conjunções e verbos. Meu vocabulário escasso me impede de aprofundar no borbulhamento de meu ser e na fervura do que sinto. Tudo que escrevi aqui não passam de palavras de gelo em busca de calor, que ando cansada de tentar encontrar.



quarta-feira, 29 de julho de 2009

SOBRE O TEMPO E O QUERER


Precisei de um tempo para recompor pensamentos, aquietar sentimentos, reavivar quereres, afugentar mal dizeres. Precisei de um tempo que não se finda e nem se esgota. É só tempo que se perde. Passa, escoa, não para. O tempo nunca para. Precisei de tempo infinito. Mas até o relógio que os ponteiros pararam, apenas revela a hora errada. A gente vê aquilo que quer ver e por mais errado que possa ser um olhar sonhador vê além do que as dimensões do real nos permite.
Eu sempre vi o mundo coberto por um pano multicolorido. A vida não foi mais que a mistura de diversas cores que harmonizavam o ambiente ao meu gosto. Tudo sempre foi bom. Extraordinário? Não. Apenas bom o suficiente e isso sempre me bastou. E eu sempre queria que o tempo parasse, pois eu sabia que na completude de um querer vinha outro a me invadir e eu sempre quis mais. Parar o tempo era minha maneira de deixar de me perder em meus queres.
Hoje eu tirei o pano multicolorido e vejo que o mundo tem muito mais cores que o meu pano podia colorir. A infinidade me ofusca a ponto de eu já não me contentar mais com nada. Hoje nada é bom o bastante e tudo que tenho não me preenche, não me cabe. A harmonia que sempre encontrei em meu pano multicolorido foi falsa e não passou de uma felicidade suave. Hoje eu sei o que pode ser estupendo, estrondoso e eu quero isso pra mim. E sei que tudo o que consegui pode ser sempre mais e eu quero mais. E já não me satisfaço com nada. Não quero o reles o vil. Quero a beleza do furta cor. Roubar todas as cores pra mim e ser várias em uma. E hoje o meu desejo expandiu a ponto de nem se o tempo parar isso vai me bastar. Já não sei qual é o tempo que eu preciso.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

DA VIOLÊNCIA QUE ME FALTA


Olho pra você e tenho raiva. Vontade de falar tudo que estou sentindo. Vontade de vomitar verdades em você. Cuspir na sua cara. Te bater e ver se assim diminui um pouco a minha dor. E pode ser feito de um jeito troncho. No começo posso até não demonstrar muita habilidade. Mas preciso de alguma forma dar forma as coisas que tenho pensado. E não tenho visto forma mais catártica do que a base de socos e ponta pés. Ando precisando de um pouco de violência em mim.

domingo, 5 de julho de 2009

DO QUE ME PARALISA


Eu não me permito ser eu mesma. Eu não agüento o peso de conseguir as coisas. Eu não suporto o fato de que sou capaz. E se me paraliso é por saber que eu posso ir muito mais além do que imagino, mas algo em mim me diz que eu não devo. Onde quero chegar comigo mesma?

sábado, 4 de julho de 2009

Afetos Fragmentados

Foto: Gaëna da Sylva




"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."

[Martha Medeiros]

quinta-feira, 2 de julho de 2009

SONOLÊNCIA


Deitada.
Meu corpo inerte.
Pronta pra dormir.
Mas meus pensamentos mais uma vez, como num estado de delírio
Passeiam por lembranças e não me deixam adormecer.
Incrível o poder da noite de trazer à tona sentimentos tão obscuros e esquecidos durante a maratona do dia.
Vivo os dias a esquecer e as noites para lembrar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

DA FALA ENGASGADA

Foi estranho me sentir impotente daquela maneira. As palavras não saiam de minha boca. Procurava tentar emitir os sons que me ensinaram quando pequena, tentava balbuciar qualquer som entendível como fala e linguagem. Mas não conseguia expressar nada além de lágrimas e soluços engasgados. Além de uma falta de ar insuportável. Aspirava com a boca a fim de reabastecer todo o ar que me faltava. Como isso me machuca, Meu Deus! Como essa coisa da qual não havia me dado conta, hoje é tão presente e tão na cara. E ter que admitir a mim mesma isso o tempo todo é algo que ainda não consigo suportar. Como isso me move de uma maneira que me destrói. É um tipo de juros que sempre entra nas minhas contas e só me subtrai. Me destrói. Me despedaça. E não consigo falar disso sem dor. Admitir certas convicções sem porquês sabidos me causam esses sentimentos de impotência. Não eu realmente não queria dizer aquilo. Admitir mais uma vez pra mim mesma esse meu lado torto e tão sem jeito. Essa parte de mim que me faz tão pequena e frágil. Na posição que eu mesma me coloco por sabe se lá o porquê. Até quando eu não terei a coragem de me admitir como sou?! Admitir em mim todas as falhas e erros que são do ser humano. Me dar a oportunidade de errar e assumir meus erros. Pois todos os erros que eu cometi constituem aquilo que sou e deixá-los às escuras é ainda me deixar esconder. Permitir a mim mesma não acertar de primeira, fazer errado e concertar. Pois aquela a quem me espelho e creio ser perfeita também falha. Porque vivo a tapar todos esses buracos, tanto os dela quanto os meus? Ainda me falta permitir mais de mim, decretar liberdade a tudo aquilo que prendi com amarras no fundo de mim. Soltar as mordaças. Falar. Falar. Falar. Estou cheia, pesada, cansada. Eu preciso esvaziar, largar meus entulhos em praça pública e faço questão de platéia pra que vejam toda a nojeira da qual estou me livrando. Me livrando com anúncio de que aquilo tudo um dia foi meu SIM! Admitir minhas falhas, minhas faltas, meu buracos. Aquilo que muitos já devem até saber ou desconfiar, mas que eu no meu jogo de aparências finjo pra mim que ninguém viu e ninguém vê. Que toda aquela fortaleza com que me visto não passa de gesso puramente frágil.

domingo, 28 de junho de 2009

sábado, 27 de junho de 2009

PURA SENSAÇÃO

Me sinto naqueles dias que sou pura sensação. Algo me tomou de tal forma que só sinto leves latências de dores pelo corpo. Há momentos que chego a pensar que estou flutuando, pois saio de mim. Fico num estado fora de si. Longe. Bem longe. É como se meus pés não estivessem fincados ao chão. Todo meu corpo estivesse a submergir para longe. Bem longe. Um estado de não querer estar onde se estar. De busca sem procura de algo além. Fora de tudo de material que está no aqui agora. Um tipo de estado sem consciência de estar. É da ordem do sentir. Do ser. São alguns segundo que me invadem e me tomam em qualquer lugar que eu esteja. Momentos esses que ultimamente tem ocorrido com maior freqüência. É como se fosse para um outro plano além desse. Um lugar onde viver não é pesado. Onde ser é natural. Num breve momento de segundos eu posso ser feliz. Porque é de uma paz. Uma paz... Sem fim.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

TEU GOSTO



Teu gosto amargo continua na minha boca
Hoje nem se te servirem com pedrinhas de açúcar eu aceito
Doce demais também enjoa

quinta-feira, 25 de junho de 2009

DO DESEJO E DO SEXO


Nos roçamos. Nos embolamos. Nos esfregamos. Com gestos perversos arranquei cada botão da tua blusa, com meus dentes. Fui passando minha língua em teu corpo. Sentindo teu gosto. Provando você por inteiro. Deixei também que você provasse do meu mel. Cada gota de mim. Esse foi só o começo pra que nós nos invadíssemos. Penetramos um no outro. Nós dois num banquete completo a gozar. Refeição que repetimos duas, três, quatro vezes naquela noite. Até o dia seguinte acordarmos empazinados de nós e nunca mais conseguirmos nem nos olhar nos olhos. Não sobrou nem um gosto de bom dia.

domingo, 21 de junho de 2009

PEDIDO


Chega de tanta gentileza e palavras finas de etiqueta. Chega de cumprimentos agradáveis e sorrisos de paisagem. Chega de comportamentos respondentes. Chega de tanta compostura. Se hoje não nos resta mais nada. Não cabe a nós qualquer tipo de laços estreitos de relações. Nada. Apenas esse vazio já basta. Chega de tentarmos preencher com o avesso, melhor permitirmos ficar o vácuo. Eu sinceramente prefiro as não palavras e não respostas. Não sorrisos. Não abraços. Não bom dia. Não. Eu prefiro o não. Infelizmente mantenho meu extremismo de me garantir a sua ausência. Há tipos de relações que não suportamos. A nossa já chegou ao meu limite. Eu consigo respirar o mesmo ar que você contanto que não tenhamos que nos dirigir a palavra, nem se quer troca de olhares. Já que das outras vezes você tomou a palavra e eu me calei aceitando sua sentença. Me conceda esse ultimo pedido.

sábado, 20 de junho de 2009

SOBRE MINHA ESCRITA [2]


Nem sei reclamar de mim. Dizer o que de fato quero dizer. Fiquei tentando traçar caminhos de como escreveria hoje. Mas a verdade é que a minha fala não se encaixa nos meus escritos e não tenho conseguido me permitir escrever sem qualquer linearidade ou coerência. Mesmo que a falta dela ainda assim não me impeça de entender algo. Mas penso sempre em como posso escrever sobre algo para que aquele que lê chegue perto de entender aquilo que quero dizer. E talvez aí esteja o meu problema. Eu não tenho que ter pretensões em escrever para agradar ninguém e nem de me fazer entender. Aqui cabe apenas o meu gosto. Do que escrevo cabe a mim saber que parte me toma e do que falo. E se pra você soa bem, ótimo. E se não, ótimo também. Chega de ter pretensões além da escrita. Cansei de tentar agradar a todos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Gota d'água

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água..." (Chico Buarque)




A gota d’água acabou de escorrer neste instante.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

DE QUANDO ME CALO [3]


Tenho preferido não pensar. Não me deixar correr o risco de escorregar nas palavras que vivem a espreita. Sensação estranha essa de ter consciência de viver controlando cada artigo, substantivo, adjetivo, verbo. Procurando o sinônimo menos doloroso pra compor cada frase. Como se fosse capaz de ter o controle de não ferir. As farpas insistentemente escapam de mim. O risco que se corre de se expor tem um preço alto. E se esconder talvez possa causar uma dívida maior ainda do que pagar a prestações suaves. Os juros levam a um montante que explode e arromba. Devasta. Tentando proteger acabamos por causar estragos ainda maiores. Tentando nos esconder acabamos por nos derrapar em nós mesmos. Seres desconhecidos e estranhos. Mas tão nós como nós mesmos. E todo esse discurso é pra dizer que hoje não sei falar de mim. Até sei, mas algo não me deixa escapar. Permaneço assim misteriosa. Dos escritos saem versos que não são nada daquilo que pretendia expor. Pensei que talvez conseguisse extravasar meus pensamentos soltos. Concretizá-los aqui. Mas não. Hoje não. E nem me permitirei frustrar por isso. Me darei o direito de não o fazer. Mas tenho pressa. E toda a calma que demonstro aqui pode passar após o ponto final. Ao menos nesse momento o que escrevo foi fonte tranqüilizadora pros fantasmas que não consigo nomear.

domingo, 14 de junho de 2009

PAPÉIS VENCIDOS

Hoje eu sei onde nos perdemos. Quando foi que eu já não fiz mais tanta questão de engolir suas mentiras com vestes simpáticas. E hoje, quando tu me apresentas mais besteiras pra preencher nossas conversas eu me recuso e já não aceito mais. E você me diz que sim eu sou obrigada a ouvir você. Eu rio na sua cara da sua cara. O que te faz pensar que eu tenho que agüentar esse tipo de atuação? Seu papel de protagonista na minha vida acabou de vencer e eu não irei renovar contrato.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 13 de junho de 2009

RETORNOS DESCABIDOS

Eu retorno a você sem entender bem o porquê. O que eu espero? Se já tenho frases prontas de recusa caso você resolva hoje me querer? Eu não sei o que ainda tem pra resolver entre nós. Definitivamente já basta. Nossa história deu o que tinha que dar. Aquela química toda de que tanto falávamos hoje num vejo nem faísca. Nossos corpos ficam gelados e automáticos quando se vêem. Nos resumimos hoje a convenções sociais.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O PORVIR

Empilho mais entulhos na minha pilha do porvir
e deixo estar mais uma vez.
O ser que me permita,
mas hoje quero só estar.
Quanto às obrigações?
Etiqueto pra amanhã ou depois.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 7 de junho de 2009

Afetos Fragmentados


"Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca."

[Strip-Tease / Martha Medeiros]

quinta-feira, 4 de junho de 2009

BOTANDO O MUNDO PRA FODER

É que sempre me vesti de bons modos e boas maneiras. Com palavras impecáveis de delicadeza. Cansei. Eu não preciso agradar o tempo todo merda. Deixa eu xingar também e mandar alguém ir para “aquele lugar”. Deixa eu me stressar e soltar as cachorras e me permitir ao menos uma vez virar a cara. Quero ficar emburrada, eu posso? Dane-se caso não possa. Eu tô realmente a fim de mandar o mundo ir se foder e tomar cada um conta de sua vidinha escrota. Quer coisa mais gostosa do que um: “Vai se FODER porra". Bem ao estilo paulista mesmo. Esse tipo de palavra em momentos de stress sai como poesia de minha boca. É quase uma espécie de orgasmo depois de declarada a sentença. A gente manda o outro se foder e quem goza somos nós. Que mania que as pessoas têm de conter cada respirar dos outros. E se eu não estiver a fim de dançar conforme a sua banda? Vai virar a cara pra mim? Ou tentar me impor o que você pensa? Vamos discutir, somar 1 + 1 e vê o que dá. Só não me peça mais delicadeza. Cansei de medir palavras.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 2 de junho de 2009

DOS MEUS QUASE, NÃO E TALVEZ


E eu repito e insisto. É porque o talvez não me basta e fica entalado na garganta. Não desce. E eu preciso mais uma vez ir até você e com todos os seus rodeios dizer pra mim que não, esse não é seu jeito. Sim você é um filho da puta. É tô a fim de te xingar hoje. Chega de filosofar com palavras bonitas. Porque a verdade é que a única coisa boa que você me deu são os versos que escrevo pensando em você. Se é que eles são tão bons assim. Talvez eu queira ouvir de fato um claro e sonoro não da sua boca pra dessa vez fazer diferente. Dessa vez parar de insistir com os nãos na minha vida. É encaixar ele em mim e fazer dele um modo de seguir em frente. Mas ficam sempre as coisas por dizer. Terminamos sempre em jogos de complete com uma palavra e reticências. E mesmo dizendo que não gosto eu sempre caio nesses joguinhos.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 1 de junho de 2009

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA FALA

Eu tenho falado muito sobre mim ultimamente. Estranho, pois em dois meses falei mais sobre mim do que o resto da minha vida inteira. Sempre mantive gritos mudos e sussurros ensurdecedores. Respeitei cada frio na minha espinha e segurei cada nó entalado na garganta. Não me permiti sentir a não ser em cenas de novelas e filmes, até músicas me faziam chorar, era minha maneira de demonstrar ao mundo e a mim mesma que eu não tinha um coração de pedra nem tão pouco era insensível as coisas do mundo. Pelo contrário tudo me afetou de tal forma e eu sempre com esse contrato de eterna guardiã. Não soube fazer outra coisa a não ser me guardar e o lacre tão resistente não permitiu que eu me abrisse nem pra mim mesma. Nem a mim eu pude me revelar. Então permaneci assim com uma parte obscura de vestígios de uma pessoa que não pôde agregar a si pedaços seus que se perderam. E sempre me senti em falta. Sem lugar. Sem espaço. Sem vez. Nunca nada bom o bastante. Eu só queria um momento pra falar pra me dar lugar. Mas apenas me permitiam ouvir. E eu ouvi. Ouvia calada e atenta a tudo. Expressava alguns gestos e feições momentâneas que no momento seguinte eu havia de desmentir. Estava tudo bem e o mundo é cor de rosa. Mas o meu mundo sempre foi negro a cor da obscuridade de não poder ser. Eu não podia falar. Desde então construí espaços vazios e relações no nada. Eu não podia falar, compartilhar sobre mim. E as relações se fazem disso, de compartilhar. A única coisa que podia compartilhar era minha escuta e sempre soube ser boa ouvinte. Ouvir sempre foi o melhor que fiz. E falar sobre aquilo como se fosse alheio a mim. Mas me envolver, falar sobre mim, me expor... Jamais. Havia um contrato que eu não podia quebrar. Então sempre tive relações passageiras, pois quando queriam mais de mim eu não podia dar. Havia um certo limite intrasponível, que nem eu tinha ultrapassado, não poderia permitir que outra pessoa o fizesse. Mas hoje tenho escancarado minhas portas e janelas. Sem trancas me vejo falando nas conversas mais despretensiosas. Parece que sai meio que sem eu sentir. Das minhas coisas que ficavam guardadas e socadas a vácuo em mim hoje saem transbordando e já não me cabem e compartilho e divido. E quanto mais falo vejo o quanto essas coisas não são só minhas e o que achei que fosse tão particular tenho visto semelhanças naqueles com quem as confidencio. E nas trocas do que sinto com o que o outro sente pude entender a beleza de se compartilhar. E hoje não quero nada só pra mim. E não que tenha a intenção de despejar minhas coisas sobre os outros. Mas ao menos aqueles que vierem até a mim eu não as negarei. Estou com a casa aberta para visitas.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 31 de maio de 2009

DAS MINHAS REVOLUÇÕES INTERNAS

Protestos em todas as esquinas de sua alma. Em cada respirar seu, há o pedido de seguir em frente. Uma revolução é programada pra que de fato tudo se revire e seja mudado. E eis que uma única atitude consegue mais uma vez boicotar seus possíveis resultados de mudança. A democracia de sentimentos não funciona com ela. Gosta mesmo da anarquia dos desejos.

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

DO QUE AINDA NÃO SEI [5]


Das coisas que venho me dando conta, não vem junto nenhum sentimento de surpresa. Pelo contrário vem aquele sentimento de obviedade e um “é claro que ia dar nisso”. E parece que no fundo de alguma forma eu busquei esse caminho exato. E tudo que falo e lembro são coisas que estavam em mim ha tanto tempo e por sempre ter guardado e me calado ficavam aqui num processo de latência tentando extravasar de outras formas. Pois é agora tenho a oportunidade de trazer pra fala e mesmo assim me mostro resistente. Eu não sei se quero falar e dar vida aos meus fantasmas. E num é bem da ordem do querer... eu quero só não sei se estou preparada para ouvir essas constatações de minha própria boca. E me responsabilizar. Colocar tudo por minha conta e risco. Mas me parecem caminhos sem volta, uma vez tomados é melhor seguir adiante. Dos túmulos os mortos se levantaram, ressuscitaram e estão aqui pairando sobre a terra a me incomodar. Querem que eu ouça suas histórias. Eles precisam apenas serem ouvidos. Precisam deixar registros seus aqui na terra para que assim sua missão seja cumprida e possam enfim descansar em paz. E enquanto eu não tiver a coragem de olhar no rosto de cada um, reconhecê-los como parte de mim e entender suas histórias eles não irão embora e não me deixarão em paz. Eu preciso dar vida a esses fantasmas em mim para que eles possam enfim ser enterrados sem mágoas ressentidas. Eu preciso disso pra que enfim eu possa seguir.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-