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quarta-feira, 21 de abril de 2010

UM CONTO DE UM ENCONTRO


Essa moça passava todo dia pela mesma rua. Procurava pontualmente a distância e marcação exata dos ponteiros de seu relógio. Devia ser tudo sempre o mesmo daquele dia tão incomum que ela o viu passar. Foram dias, semanas e meses e nenhum sinal daquele rapaz belo que a conquistou. A repetição dos dias por ela não fez com que ele repetisse os dias dele para encontrá-la. Então ela desistiu. Mudou de esquinas. Mudou de horários. Deixou seu ponteiro girar de volta ao fuso normal. Mudou de cidade e de país. Até que um dia sem planejar, sem nem ao menos lembrar daquela tarde de setembro, ela o viu passar mais uma vez a sua frente. Só que dessa vez ela o cumprimentou e o chamou pra tomar um café.





P.S.: Talvez essa história não termine por aqui...

terça-feira, 20 de abril de 2010

DA MINHA ESPERA [2]




Aquela vontade de falar com você permanece em mim calada.
Brota em sussurro e devaneio.

DA MINHA ESPERA



Então diz que não vem pra que eu possa parar de esperar por ti.

sábado, 17 de abril de 2010

DE NOVO













No meio dessa história fico pensando que talvez eu acabe perdendo espaço junto com meu passo.
Não sei se é aparência ou realidade.
Não sei qual confusão me confundiu.
Me sinto frágil como se me quebrasse a cada momento de novo... de novo... de novo...
Mas não vejo nada de novo.
Sempre velhas formas revestidas de novo... de novo... de novo...
E eu sempre tão velha e passada, com palavras já gastas e usadas.
Meu discurso já não cabe em mim.
Invento apenas novos arranjos desarranjados.
Me causam incomodo e ânsia de vômito.
Me falta fome de seguir e procurar mais do que me alimentar.
Sempre de barriga cheia, satisfeita, sentada a espreita.
Esperando de novo... de novo... de novo...
Preciso trocar os sentidos.
Tenho andado ao contrário do avesso que poderia ir ser tido.




"E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. "
[Tati Bernardi]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

DE NOSSAS MARCAS ENCRAVADAS

Então sei lá... Foi no teu corpo que pela ultima vez compartilhei meus vestígios. Nos trocamos em cada fissura de nossos corpos até nos invadirmos pelos poros e no fim da noite acabamos por exalar o outro. Marcamos nosso corpo como o senhor de engenho marca teu gado. Nossas digitais trocadas fazendo perder a identidade em território alheio. Então me desfiz quando te deixei. Mudei de nome, endereço, cortei o cabelo, abandonei amigos, deixei pra trás tudo aquilo que pudesse trazer você em lembrança de volta pra mim. Mas tua pele estava encravada no meu corpo e nenhuma mudança que eu fizesse seria o bastante pra te desencravar de mim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SOBRE NOSSA DANÇA


Senti tua pele pegando fogo. Nossos corpos dançavam como se já soubessem a coreografia que inventávamos ali no instante. Entre pegadas e suspiros ofegantes nos estragávamos um ao outro nos deixando guiar. E já não se podia saber se era eu ou você no comando. Porque não havia dois. Éramos um. Entre amassos e abraços nos confundimos em outros corpos. Nos confundimos em nós mesmos. Os passos largos que dávamos pareciam pequenos, como se tão perto ainda houvesse uma distância de um abismo entre nós. Da ordem de uma impossibilidade a ser botada a prova. Quem seria o primeiro a ousar rompê-la, invadi-la? Então ficamos assim pelos vãos. Pelas esquinas do acaso. Pelos murmúrios do destino. Pelos percalços do querer. Num deixar estar silencioso que chega a ensurdecer.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A MELODIA DE BONNY DUNDEE



Eu não tenho costume de postar qualquer coisa que não seja por meio dos códigos das minhas palavras em versos.
Mas devido ao momento musical e pensante no qual me encontro quero compartilhar essa música com vocês mais uma vez, agora em som e vídeo... deixou de ser só palavra em verso.
Poesia cantada tem que ser bem apreciada e compartilhada quando se vale a pena.

Essa banda é do meu Estado, o Espírito Santo. Gosto muito da banda Solana e em particular essa música, mais ainda nesse momento que me cabe tão bem.
Então para os que leram a letra que postei no post anterior e até mesmo pros que ainda não leram apreciem a melodia.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

VOCÊ VEM QUANDO QUER EU TE QUERO SE MESMO NÃO VEM


"Quem ficou ?
Eu acho que os dois: esperando um outro dia arrefecer.
Quem sofreu ?
Eu acho que ninguém: você vem quando quer eu te quero se mesmo não vem.
Eu não tenho frescor de quem se banha em mar,
mas venha que eu posso te deixar mais leve.
Você pode até gritar.
Amanhã ?
Eu acho que vou duvidar: você podia parar de uma vez em mim.
Eu não tenho frescor de quem se banha em mar,
mas venha que eu posso te deixar mais leve,
você pode até gritar.
Quer saber ?
Eu acho que vou aprender a pintar, talvez amanhã."


(A melodia de Bunny Dundee - Solana)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DOS VERBOS QUE CONJUGO

Então eu digo sim e você diz não. Então eu digo não e você diz sim. E a gente vai brincando de desdizer o que se disse. Vai inventando de inventar o que não existe. O que já é deixa de ser sendo... passando... vivendo... Vai longe. Bem longe. O que fica é só o instante que já foi. Nada é. Sempre está. Estandando estou estendo estado. Sempre me perco nos tempos dos verbos que conjugo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

DOS MEUS CHÁS E CAFÉS


Que tempo é esse o tempo da espera? Quanto dura a espera de esperar? Quando se está pronta a esperar será que se planeja tempo cronometrado? Então se espero porque gosto já deixou de ser pelo gosto de depois da espera e passou a ser só a espera por si só. Então troco as esperas, muda-se o foco com o mesmo objetivo. Por fim espero, e mais uma vez prorrogo pro amanhã meus verbos sempre defectivos conjugados no futuro do subjuntivo.

domingo, 28 de março de 2010

QUANDO NÃO SEI DIZER


Não é só saudade
Não é só falta
Não é só arrependimento
Não é só culpa
Não é só insegurança
Não é só incerteza
Não é só dúvida
Não é.
E mesmo afirmando na negação
Sei que tudo isso não deixa de ser
Ainda que não seja.
Não, não é.
E nem ouse perguntar o que é então.

"Eu não sei por que
Eu teimo em dizer
Que amo você
Se eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer... "
(Zeca Baleiro)

quarta-feira, 17 de março de 2010

AINDA SOBRE INVENÇÕES DA VIDA...


A gente inventa de que pode fazer tudo. Vai lá delineia caminhos que parecem espaços vagos onde se pode caminhar. Até o banho da realidade mostrar que o caminho na verdade são, no plural em sentido e significado, caminhos e que eles se cruzam e as linhas desses caminhos que pareciam retas na verdade são curvas diversas que se transpassam e perpassam e optar por uma delas é condição para se seguir. Ás vezes dá pra se voltar de hora em hora. Brincar de passear pelas ruas no meio do seu tempo vago preenchido de compromissos comprometidos com você. Então não sei, viro, desviro, dobro, desdobro as esquinas pra tentar estar em todos os lugares um pouco de cada vez. Compartilhar. Me partilhar. Me partir. Entre caminhos me sinto muito mais em partidas que em chegadas me percebo como não inteira naquilo que faço. Então que fiz? Brinquei de dançar apenas? Me dizem que não posso dançar todas as músicas na mesma hora. Preciso escolher uma de cada vez, ao seu tempo, não no meu tempo. Com meu tempo que me falta dentro do seu tempo. E que tempo? Onde está esse tal tempo para que nós possamos negociar minhas horas?

"Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára..."
(Lenine)

sábado, 13 de março de 2010

DO QUE INVENTAMOS


Antes fosse só saudade proclamada em verso. Da que inventamos pra suprimir a que está calada em nós. Fala nos versos que insistimos em dizer que inventamos. Invenção de vida vivida. Vivi o que inventei. Inventei de viver. Nas invenções da vida, sobrou até de inventar de sofrer.

terça-feira, 9 de março de 2010

DO MEU AMAR [2]


Não é amar
Nem como o mar
Talvez seja vento ventania
Ou uma simples calmaria
Não é que eu não sinta
Muito menos minta
Mas traz paz
Num silêncio mordaz






"Mas levo esse amor
Com o zelo de quem leva o andor
Eu velo pelo meu amor
Que sonha"
(Chico Buarque)

sexta-feira, 5 de março de 2010

DO MEU CRIME


Meu único crime foi a tentativa de assassinato que cometi contra nós dois. Queria matar a nossa saudade, que achei ser nossa e era só minha. No fim o atentado contra a minha saudade recaiu sobre você como uma ofensa a sua liberdade. Invadi teu espaço, este que eu já acreditava compartilhar sem precisar de permissão. Não tinha visto e mais um crime recaiu sobre mim. E como estrangeira voltei pra casa me sentindo fora da lei, fora de rumo, fora do amor.

DO MEU AMAR


Você me olhou e disse que queria tentar mesmo sabendo dos riscos das farpas e marcas que levava comigo.
Eu olhei pra você e neguei teu amor e carinho muito mais por mim do que por você. Eu sabia que ia te machucar, mas eu sabia que me machucaria muito mais receber esse amor que eu não sabia amar.





"Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...
Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe [...]"
(Chico Buarque)

quinta-feira, 4 de março de 2010

SOBRE MEUS VERSOS (TRISTES)

Se achas meus versos tristes é porque não entende a poesia de minhas palavras
Escrevo cantando a beleza de se viver
A vida é alegria por si só, mesmo quando se está a sua espera
Talvez seja pretensão minha achar que você deva entender meus traços
Mais pretensão ainda achar que eu me faço por entender
Então solto tudo a você deixando que agarre o sentido que quiser
A espera de que nossos sentidos se encontrem e se agarrem juntos enfim
Porque de um jeito ou de outro a gente sempre se entende



"Eu só sei que cansei, enfim; 
Dos meus desencontros; Corre e diz a ela que eu entrego os pontos"

(Chico Buarque)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

MÚMIA


Adiei tantas decisões na espera calma e tranqüila de que as coisas iriam tomar caminho sem mim. Ilusão que eu já entendia na minha frente, mas tapava com um lindo pano branco. Fantasiava meus medos achando que eram belas fantasias e no fundo eram fantasmas a me assombrar. Todo dia a acordar pensando que... “ah deixa, amanhã eu resolvo isso”. E foram muitas manhãs de amanhãs que permaneceram intactas, imóveis. E eu a me arrastar feito lagartixa sem perna no jardim. Cada passo um esforço de me tirar o brilho. Não quero me mover. Permaneci assim feito múmia. Embalsamava meu corpo deixando que o ambiente fizesse o resto por mim.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DOS MEUS VAZIOS E ESCONDERIJOS

Vi espaços vazios e papéis em branco amassados ao lado da cabeceira. Olhei ao redor e o silêncio imperava não só em meu espírito, mas no que me cerca e me prende. Os ruídos da goteira do ar condicionado que a mais de um mês está para ser concertado é o único tipo de barulho que ouço quando vou me deitar. Pensamento? Já nem sei o que são há tempos, pois me deito tão embebedada de cansaço que se quer me dou o direito de alguns minutos de devaneio antes do repouso noturno. E fujo mais uma vez. Deixo o silêncio. Trago a dúvida alada. Vários apêndices em mim que insistem em ficar fora. De fora. Para fora. Dentro? Só o vazio do ar que me falta e do qual sempre me contento. Não busco mais. Não busco nada. E me escondo mais uma vez.


Foto: Gaena da Sylva

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PROMESSAS DE ANO NOVO


Menino: Mãe porque no começo de cada ano todo mundo faz promessas?
Mãe: Por que as pessoas sempre tem esperanças de um ano melhor do que o que passou.
Menino: Mãe, mas porque as promessas nunca mudam?
Mãe: Por que as pessoas acham que tem tempo suficiente e sempre deixam pra depois as promessas que deveriam cumprir hoje.
Menino: Mãe eu acho que eu sou um pouco como as pessoas também.
Mãe: Por que meu filho?
Menino: Por que eu também prometo sempre que não serei tão bagunceiro, mas eu não consigo.


Mãe e filho se abraçam e riem juntos num sorriso compartilhado de cumplicidade, amizade e amor.





Feliz Ano Novo para todos que visitam e acompanham meu blog!
Paz e amor a todos!
Que façamos valer nossas promessas.


Beijos da Pequena Poetiza!