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segunda-feira, 15 de junho de 2009

DE QUANDO ME CALO [3]


Tenho preferido não pensar. Não me deixar correr o risco de escorregar nas palavras que vivem a espreita. Sensação estranha essa de ter consciência de viver controlando cada artigo, substantivo, adjetivo, verbo. Procurando o sinônimo menos doloroso pra compor cada frase. Como se fosse capaz de ter o controle de não ferir. As farpas insistentemente escapam de mim. O risco que se corre de se expor tem um preço alto. E se esconder talvez possa causar uma dívida maior ainda do que pagar a prestações suaves. Os juros levam a um montante que explode e arromba. Devasta. Tentando proteger acabamos por causar estragos ainda maiores. Tentando nos esconder acabamos por nos derrapar em nós mesmos. Seres desconhecidos e estranhos. Mas tão nós como nós mesmos. E todo esse discurso é pra dizer que hoje não sei falar de mim. Até sei, mas algo não me deixa escapar. Permaneço assim misteriosa. Dos escritos saem versos que não são nada daquilo que pretendia expor. Pensei que talvez conseguisse extravasar meus pensamentos soltos. Concretizá-los aqui. Mas não. Hoje não. E nem me permitirei frustrar por isso. Me darei o direito de não o fazer. Mas tenho pressa. E toda a calma que demonstro aqui pode passar após o ponto final. Ao menos nesse momento o que escrevo foi fonte tranqüilizadora pros fantasmas que não consigo nomear.

domingo, 14 de junho de 2009

PAPÉIS VENCIDOS

Hoje eu sei onde nos perdemos. Quando foi que eu já não fiz mais tanta questão de engolir suas mentiras com vestes simpáticas. E hoje, quando tu me apresentas mais besteiras pra preencher nossas conversas eu me recuso e já não aceito mais. E você me diz que sim eu sou obrigada a ouvir você. Eu rio na sua cara da sua cara. O que te faz pensar que eu tenho que agüentar esse tipo de atuação? Seu papel de protagonista na minha vida acabou de vencer e eu não irei renovar contrato.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 13 de junho de 2009

RETORNOS DESCABIDOS

Eu retorno a você sem entender bem o porquê. O que eu espero? Se já tenho frases prontas de recusa caso você resolva hoje me querer? Eu não sei o que ainda tem pra resolver entre nós. Definitivamente já basta. Nossa história deu o que tinha que dar. Aquela química toda de que tanto falávamos hoje num vejo nem faísca. Nossos corpos ficam gelados e automáticos quando se vêem. Nos resumimos hoje a convenções sociais.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O PORVIR

Empilho mais entulhos na minha pilha do porvir
e deixo estar mais uma vez.
O ser que me permita,
mas hoje quero só estar.
Quanto às obrigações?
Etiqueto pra amanhã ou depois.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 7 de junho de 2009

Afetos Fragmentados


"Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca."

[Strip-Tease / Martha Medeiros]

quinta-feira, 4 de junho de 2009

BOTANDO O MUNDO PRA FODER

É que sempre me vesti de bons modos e boas maneiras. Com palavras impecáveis de delicadeza. Cansei. Eu não preciso agradar o tempo todo merda. Deixa eu xingar também e mandar alguém ir para “aquele lugar”. Deixa eu me stressar e soltar as cachorras e me permitir ao menos uma vez virar a cara. Quero ficar emburrada, eu posso? Dane-se caso não possa. Eu tô realmente a fim de mandar o mundo ir se foder e tomar cada um conta de sua vidinha escrota. Quer coisa mais gostosa do que um: “Vai se FODER porra". Bem ao estilo paulista mesmo. Esse tipo de palavra em momentos de stress sai como poesia de minha boca. É quase uma espécie de orgasmo depois de declarada a sentença. A gente manda o outro se foder e quem goza somos nós. Que mania que as pessoas têm de conter cada respirar dos outros. E se eu não estiver a fim de dançar conforme a sua banda? Vai virar a cara pra mim? Ou tentar me impor o que você pensa? Vamos discutir, somar 1 + 1 e vê o que dá. Só não me peça mais delicadeza. Cansei de medir palavras.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 2 de junho de 2009

DOS MEUS QUASE, NÃO E TALVEZ


E eu repito e insisto. É porque o talvez não me basta e fica entalado na garganta. Não desce. E eu preciso mais uma vez ir até você e com todos os seus rodeios dizer pra mim que não, esse não é seu jeito. Sim você é um filho da puta. É tô a fim de te xingar hoje. Chega de filosofar com palavras bonitas. Porque a verdade é que a única coisa boa que você me deu são os versos que escrevo pensando em você. Se é que eles são tão bons assim. Talvez eu queira ouvir de fato um claro e sonoro não da sua boca pra dessa vez fazer diferente. Dessa vez parar de insistir com os nãos na minha vida. É encaixar ele em mim e fazer dele um modo de seguir em frente. Mas ficam sempre as coisas por dizer. Terminamos sempre em jogos de complete com uma palavra e reticências. E mesmo dizendo que não gosto eu sempre caio nesses joguinhos.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 1 de junho de 2009

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA FALA

Eu tenho falado muito sobre mim ultimamente. Estranho, pois em dois meses falei mais sobre mim do que o resto da minha vida inteira. Sempre mantive gritos mudos e sussurros ensurdecedores. Respeitei cada frio na minha espinha e segurei cada nó entalado na garganta. Não me permiti sentir a não ser em cenas de novelas e filmes, até músicas me faziam chorar, era minha maneira de demonstrar ao mundo e a mim mesma que eu não tinha um coração de pedra nem tão pouco era insensível as coisas do mundo. Pelo contrário tudo me afetou de tal forma e eu sempre com esse contrato de eterna guardiã. Não soube fazer outra coisa a não ser me guardar e o lacre tão resistente não permitiu que eu me abrisse nem pra mim mesma. Nem a mim eu pude me revelar. Então permaneci assim com uma parte obscura de vestígios de uma pessoa que não pôde agregar a si pedaços seus que se perderam. E sempre me senti em falta. Sem lugar. Sem espaço. Sem vez. Nunca nada bom o bastante. Eu só queria um momento pra falar pra me dar lugar. Mas apenas me permitiam ouvir. E eu ouvi. Ouvia calada e atenta a tudo. Expressava alguns gestos e feições momentâneas que no momento seguinte eu havia de desmentir. Estava tudo bem e o mundo é cor de rosa. Mas o meu mundo sempre foi negro a cor da obscuridade de não poder ser. Eu não podia falar. Desde então construí espaços vazios e relações no nada. Eu não podia falar, compartilhar sobre mim. E as relações se fazem disso, de compartilhar. A única coisa que podia compartilhar era minha escuta e sempre soube ser boa ouvinte. Ouvir sempre foi o melhor que fiz. E falar sobre aquilo como se fosse alheio a mim. Mas me envolver, falar sobre mim, me expor... Jamais. Havia um contrato que eu não podia quebrar. Então sempre tive relações passageiras, pois quando queriam mais de mim eu não podia dar. Havia um certo limite intrasponível, que nem eu tinha ultrapassado, não poderia permitir que outra pessoa o fizesse. Mas hoje tenho escancarado minhas portas e janelas. Sem trancas me vejo falando nas conversas mais despretensiosas. Parece que sai meio que sem eu sentir. Das minhas coisas que ficavam guardadas e socadas a vácuo em mim hoje saem transbordando e já não me cabem e compartilho e divido. E quanto mais falo vejo o quanto essas coisas não são só minhas e o que achei que fosse tão particular tenho visto semelhanças naqueles com quem as confidencio. E nas trocas do que sinto com o que o outro sente pude entender a beleza de se compartilhar. E hoje não quero nada só pra mim. E não que tenha a intenção de despejar minhas coisas sobre os outros. Mas ao menos aqueles que vierem até a mim eu não as negarei. Estou com a casa aberta para visitas.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 31 de maio de 2009

DAS MINHAS REVOLUÇÕES INTERNAS

Protestos em todas as esquinas de sua alma. Em cada respirar seu, há o pedido de seguir em frente. Uma revolução é programada pra que de fato tudo se revire e seja mudado. E eis que uma única atitude consegue mais uma vez boicotar seus possíveis resultados de mudança. A democracia de sentimentos não funciona com ela. Gosta mesmo da anarquia dos desejos.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 28 de maio de 2009

DO QUE AINDA NÃO SEI [5]


Das coisas que venho me dando conta, não vem junto nenhum sentimento de surpresa. Pelo contrário vem aquele sentimento de obviedade e um “é claro que ia dar nisso”. E parece que no fundo de alguma forma eu busquei esse caminho exato. E tudo que falo e lembro são coisas que estavam em mim ha tanto tempo e por sempre ter guardado e me calado ficavam aqui num processo de latência tentando extravasar de outras formas. Pois é agora tenho a oportunidade de trazer pra fala e mesmo assim me mostro resistente. Eu não sei se quero falar e dar vida aos meus fantasmas. E num é bem da ordem do querer... eu quero só não sei se estou preparada para ouvir essas constatações de minha própria boca. E me responsabilizar. Colocar tudo por minha conta e risco. Mas me parecem caminhos sem volta, uma vez tomados é melhor seguir adiante. Dos túmulos os mortos se levantaram, ressuscitaram e estão aqui pairando sobre a terra a me incomodar. Querem que eu ouça suas histórias. Eles precisam apenas serem ouvidos. Precisam deixar registros seus aqui na terra para que assim sua missão seja cumprida e possam enfim descansar em paz. E enquanto eu não tiver a coragem de olhar no rosto de cada um, reconhecê-los como parte de mim e entender suas histórias eles não irão embora e não me deixarão em paz. Eu preciso dar vida a esses fantasmas em mim para que eles possam enfim ser enterrados sem mágoas ressentidas. Eu preciso disso pra que enfim eu possa seguir.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 26 de maio de 2009

SEUS VESTÍGIOS EM MIM

Eu falo de você
Eu penso em você
Eu respiro você
E mesmo assim insisto em mentir pra mim dizendo que você é página virada na minha vida.
Parece que fiz cópias de sua história como garantia de não te perder.
Cada novo encontro é uma cópia sua que encontro e faço questão de queimar.
Eu preciso eliminar de vez os vestígios de você que ainda estão impregnados em mim.


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 25 de maio de 2009

DE QUANDO ME CALO [2]

Foto: Gaëna da Sylva

Há tempos percebo que há coisas em mim que precisam ganhar formas. Permaneço muda diante desses fatos. Tenho consciência do quanto me é importante delimitar o caos e salvar alguma parte daquilo que em mim ainda se organiza. E nessa desorganização não sei que parte da minha consciência me escapole e me impede de falar. Até a tentativa de escrever sobre me é resistente, pois na escrita esse fato se mostra ainda mais difícil. Na fala uso palavras e podem parecer desconexas, agora na escrita tem que haver algum tipo de encaixe e concordância. Talvez algum dia escreva na linearidade de meu pensamento e colocando no papel tente decifrar meus códigos. Aqueles que fiz pra me esconder de mim. A vantagem da escrita é que não precisa de alguém para isso, já na fala você precisa de alguém disposto a ouvir. A não ser que queira praticar sua insanidade. Pois então eu tenho quem me escute e no entanto ainda procuro entender o que me impede de falar. O medo talvez das palavras que use serem ridículas a ponto de diminuírem a intensidade das coisas que se passam em mim. E talvez o uso da fala seja importante pra isso, para perceber o quão de fato, talvez, as coisas sejam ridículas e como eu tomo tanta importância a respeito delas. Mais ainda tenho medo do quanto as coisas que eu sinto podem se tornar reais. O ato da palavra posta pra fora tira tudo o que penso do campo do imaginário e por mais que ali haja dor, o peso que o real pode trazer com ele me faz pensar se estou preparada. Penso e sinto a respeito disso. E eu quero falar de verdade, eu só não sei o começo de tudo. E refazer o meu começo ainda me é difícil.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 24 de maio de 2009

SOBRE CAMINHOS

Me vejo escorrer por entre meus próprios dedos. Não sei como me desfaço nem por onde vou. Os caminhos que percorri, hoje já não existem. Não no plano do real. Mas em mim está. Permanece. Acontece. É. E não sei como faço para achá-los. Mas estão aqui, em algum lugar. E encontrar eles é justamente saber por onde eu não quero mais seguir.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 23 de maio de 2009

Afetos Fragmentados


"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência."

[Martha Medeiros]

quinta-feira, 21 de maio de 2009

DE QUANDO ME CALO

Atônita e sem movimento não pude respirar, nem sequer esboçar algum tipo de reação para que pudessem me nomear de louca, desvairada, atormentada a ponto de ser internada. Mas por dentro minhas entranhas me sufocavam, ouviam-se gritos de desespero, meu sangue corria mais rápido, o pulsar do meu coração atormentava minha cabeça e, no entanto, o suor frio deixava meu corpo gelado, duro, petrificado. Minha respiração ofegante era um grito calado de socorro: “me tirem daqui”. Eu não queria ver, mas vi cada movimento, ato, aproximação. E deixava toda a percepção do momento me adentrar, invadir sem pedir licença e cortar meus olhos a ponto de me imaginar chorando lágrimas de sangue invisíveis e ninguém ali tinha noção do meu sofrimento tão particular. Meu choro reprimido entalava na garganta produzindo um início de ânsia de vômito, que deixei guardado pra cuspir um dia em você. E da raiva reprimida um pouco também me cabe por me permitir ainda sentir certos sentimentos. Sentimentos esses que nem sei ao certo nomear em palavras. É tudo sensação que não cabe em categorias. Cabem só no presente e depois passa. Sempre passa...

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 19 de maio de 2009

VERSIFICAÇÃO


Estou a procura do verso perfeito
No verso do que fui
Uma nova versão de mim
Deixar verter
Deixar versar
Deixar versificar


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 17 de maio de 2009

QUERO-QUERO

Eis a era do quero-quero
Eis a era do meu querer
Quero a todo o momento querendo mais
Quero já desquerendo o querido
Quero e no querer não sei se deveras quero ou se é só um capricho de querer
Quero mesmo quando digo que não quero
E posso até não querer quando digo que quero
É tudo um jogo do querer
Meu querer que ora bem me quer, ora mal me quer
Quero no amor
Quero na dor
Quero só por querer
Quero só pelo prazer de se querer

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 16 de maio de 2009

POLIGLOTA



Quando te conheci achei tua língua tão distante da minha. Procurei me aproximar de todas as línguas pra achar um denominador comum entre nós e assim quem sabe nos comunicarmos. Aprendi inglês, alemão, japonês, grego, persa e até aramaico. E mesmo com tantas línguas, nenhuma era a sua. Eu ainda não consegui encontrar tua língua.

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BRINCAR COM ALFINETES




Tenho gostado de brincar com alfinetes.
Alfinetadas para todos os lados e a única que sai machucada com isso sou eu.
Tenho uma espécie de gozo com a dor.


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quinta-feira, 14 de maio de 2009

DO QUE AINDA NÃO SEI [4]

Hoje descobri uma pequena parte daquilo que eu sabia que não sabia. Mesmo pequena não deixa de ser menos importante. Pelo contrário. Diante de tudo que não sei, esse saber é uma luz que bate direto em meu olhar e me clareia e mesmo com toda intensidade que ela se deposita em mim tento fazer com que minha visão não fique turva a ponto de nada ver. Permaneço com o olhar fixo. Mas sinto-me estranha. Aumentou mais aquele sentimento de não pertencimento. Eu não me pertenço. Não me reconheço. Vejo que tudo o que fui, foi ser alguém buscando não ser um outro alguém. Eu não sei se eu realmente não queria ser esse outro. Mas procurei me diferenciar. Me reafirmar na diferença. Precisei do oposto. Do contraste. Do choque. E sempre que esse contraste me era colocado eu me reafirmava nele. Há até uma espécie de gozo nessa comparação talvez. E me sinto estranha ao falar sobre. Me sinto confusa e quase chego a não aceitar em admitir, mas é algo dito e inegável que tenho prazer na diferença imposta pela comparação. É nesse momento que me reafirmo como tal. Como eu. Como aquela que é. Mesmo que nessa diferença tenha errado a medida, desvirtuado caminhos, e perdido a rota certa a seguir. Meu incômodo definitivamente não é na diferença, porque é justamente ela que quero reafirmar, contudo não sei buscar a diferença além daquela que me transformei. E pensar em outra possibilidade agora me confunde. Porque mesmo no diferente, algumas coisas fui tentando ser semelhante, mas errei a medida mais uma vez e não sei até onde me cabia. Mais uma vez percebo que eu não dei conta das medidas. Sempre caminhos que foram muito ou não o bastante. Eu não sei a medida de mim. E se falei que não saber o que não se sabe dói mais do que não saber. Hoje digo que saber o que não se sabia é alívio e carrega consigo um certo prazer. Mas o próprio saber carrega também uma angústia no momento em que se dá conta de mesmo com esse “sabido” ainda há coisas que não se sabem por completo. Eu não sei o que fazer com esse “sabido”. E isso definitivamente é algo que hoje me dói mais do que não saber o que não sei.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 13 de maio de 2009

DESAPEGO


Já vi que é inútil abalar você com a minha ausência e desdém. Essa minha necessidade de ser necessária a alguém está me dando nos nervos. E perceber que realmente eu não te faço falta me faz pensar até que ponto você faz falta a mim. Se não foi ilusão toda a relação que criei de nós dois. E dos vazios que hoje temos entre nós não tenho certeza do que realmente quero que os preencha. Talvez o melhor caminho seja cada um pegar a sua estrada, que podem um dia se esbarrar. Só o tempo irá dizer. Mas sinceramente não viverei vendo cada milésimo de segundo passar.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 11 de maio de 2009

DO ADIAMENTO


Eu deixo tudo pra depois
Tanto que chego a pensar que deixo até o viver pra depois.
Enquanto isso o que eu faço?
Não sei.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 10 de maio de 2009

DENÚNCIA DO OLHAR









Até que instante meu desejo agüenta a segurança de se esconder?
Há momentos que nem que seja no olhar eu me denuncio.
Mesmo que seja na recusa, nas pupilas que se escondem do teu fitar.
Quando você passa eu perco o foco.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 9 de maio de 2009

NÓS

Penso na lembrança vaga que tenho de você. De suas características e o que fez eu me apaixonar. Pouca coisa restou em mim sobre justificativas e porquês. Tenho mais a sensação que me causaste, claro que a intensidade do momento já não é o mesmo. Mas ainda sinto minha carne rasgada por dentro e a ardência das feridas ainda abertas que insistem em não cicatrizar. Mas sinceramente eu não sei o porquê delas ainda restarem em mim. Eu nem sei mais contar a história de nós dois. Se é que posso chamar de nós. Ou porque não? Atei nós com nós impossíveis de desatar. Mas estes estão presos só em mim. É que achei que em mim fosse o bastante pra segurar nós dois e veja só... o seu nó se soltou, enquanto os meus ainda estão aqui e sozinhos. E tenho sim esse nó na garganta do tipo de comida que se come até entupir e entala. Daquele choro reprimido que depois de tantas noites cansei de deixar rolar, preferi engolir. Tenho um nó também no peito juntando os pedaços despedaçados daquilo que restou do que um dia chamei de coração. E tenho tanto medo de que esse nó se desfaça que não deixo ninguém chegar perto o bastante. Eu poderia fazer desse nó corrente, mas não do tipo que aprisiona e sim do tipo que unifica. Mas ninguém quis juntar seus nós com os meus. Na verdade os que me ofereceram eu não quis. Ora achava que era muito. Ora achava que era pouco. É que eu nunca entendi de medidas.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 7 de maio de 2009

DO QUE AINDA NÃO SEI [3]

Levo as coisas muito bem do começo ao meio. Pois é, daí eu empaco, pulo, sorteio, passo a vez. Eu não quero ver o final de nada. Eu não consigo ver o fim de nada. Restos. Vestígios. Migalhas. Só vejo sobras para todos os lados. Pedacinhos de mim que se esfarelam e se perdem. Eu não sei achar o que me falta e quanto mais procuro mais perco coisas. Essas palavras “não sei” tem me incomodado enfaticamente. Como assim desconheço sobre mim? Como assim não sei o que me leva, motiva, impulsiona? Como assim não sei de mim? E do que faço... Do que quero... Do que não quero mais... O que eu não quero mais? Vivo as mesmas coisas como se tivesse uma obrigação de ainda vivê-las. Não sinto nada parte de algo que construí sem pressões e objetivos alheios. O que EU fiz de mim? Parece que deixei que mexessem na minha roupa lavada, usassem, abusassem e agora suja cheia de buracos eu as pego de volta. E o que é realmente meu nelas? Se é que um dia foram minhas já que nunca as usei de fato. O que eu vesti durante o tempo que pegaram minhas roupas emprestadas? O que eu fiz de mim? Ecos do “não sei” respondem por mim. Eu já não respondo nada. E quando foi mesmo que eu respondi?

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 5 de maio de 2009

QUANDO NÃO GOSTO DE MIM

Eu não gosto de mim quando você me olha e caio no seu jogo de olhares e sorrisos bobos. Eu não gosto de mim quando te ignoro e no instante seguinte me rendo a teus pés. Eu não gosto de mim quando brinco com você levando à respostas suas com segundas intenções. Eu não gosto de mim quando você vai embora e me deixa um gosto amargo e seco das não palavras. Por isso tudo eu não gosto de mim, por gostar de você. E quando tenho raiva não é de você, mas de mim por ainda me prestar a certos papéis. Até quando continuarei com essa história de você estar me iludindo? Fui eu quem construiu meu próprio castelo e empurrei você para morar nele comigo.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 3 de maio de 2009

DO QUE TENHO SENTIDO


Ando me sentindo meio Rutherfórdio*. Pois é, tem também essa coisa de náusea e certa ânsia de vômito. É que preciso cuspir verdades para todos os lados e vomitar, mesmo que brusco é direto e objetivo. Ao menos algo que seja verdade e real, provocado por mim. Choque. Preciso de conflito. Turbulência. Me sinto infeccionada. Com diversos tumores. E eu sei que passo o meu melhor, mas eu cheiro a enxofre. Estou podre por dento. Podre. Do tipo de carne estragada que se esqueceu no congelador há anos atrás. E esse estado Rutherfórdio. Inútil. Me sinto sei lá, uma espécie de não-eu. Uma espécie de fabricação de um ser alheio a mim. Se quer saber não sei o que é um eu, então difícil dizer sobre o não-eu. Mas não sinto que queira ser essa espécie de ser o qual venho me apresentando. E dentre tudo isso o que me assusta é que eu não sei o que eu quero fazer de mim. Vou fazendo, dizendo, explanando a respeito disso. Vendo até onde consigo chegar. Até onde consigo. Não tenho o controle. EU não tenho o controle.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-


*Elemento radioativo artificial, sem registros de utilização.

sábado, 2 de maio de 2009

DE QUANDO ME SINTO (AB)USADA


Ei! A sua vida não é um parque de diversão.
Então, pare de fazer de mim sua montanha russa.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 1 de maio de 2009

SOBRE LIXOS ALHEIOS

Foto: Rogério Felício

Você abre a boca e só sai merda, esgoto, bosta, cocô.
E hoje, eu estou sem saco para recolher seu lixo.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 29 de abril de 2009

QUANTAS VEZES?



Quantas vezes terei que te dizer que o sol que eu queria ver contigo já não queima mais?
Quantas vezes você ainda me perguntará porque não dançamos mais no mesmo ritmo?
Quantas vezes terei que te fazer entender que a nossa estrada se partiu em duas?
Quantas vezes terei que falar em alto e bom tom a você sentimentos que não me pertencem para que quem sabe você acreditando eu também possa me convencer?
Quantas vezes precisarei ser cruel com nós dois para poder seguir meu caminho?
Quantas vezes terei que te deixar ir para que você não volte?

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 28 de abril de 2009

SOBRE MEDIDAS



Me dê traços
Me dê contornos
Me dê limites
Me dê a medida entre nós

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DE QUANDO SE ESTÁ LONGE DEMAIS


Sempre achei o caos muito mais interessante do que a tranqüilidade do equilíbrio. O turbilhão de coisas ao meu redor acontecendo ao mesmo tempo em fluxos diversos e dispersos. Uma verdadeira bagunça se analisada de perto, mas que se vista de longe chega a conseguir se passar por um verdadeiro grupo de bailarinas em perfeita sincronia. De longe tudo parece ser bem mais simples do que se é. Pois é e diante disso percebi que vivi longe demais de tudo a ponto de ver beleza naquilo que conhecia superficialmente. Aos poucos fui tentando me aproximar. Agora perto demais o caos me incomoda e chega até a me asfixiar. É preciso ter coragem pra chegar mais perto da VIDA e olhar pra ela bem lá no fundo. Tem sempre muita coisa pra arrumar.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 26 de abril de 2009

SOBRE RESTOS


Pense em tudo o que fomos um para o outro...
Pense em tudo o que somos hoje...
Eu só vejo resto.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 25 de abril de 2009

DO QUE ME ESCAPA


Da chuva que cai tento absorver cada gota que cai sobre mim.
Impossível!
Todas passam e não ficam.
Cada uma com seu tempo
Depende do vento que passa e as leva.
Bebo o maior número de gotas tentando assim torná-las parte de mim
Transpiro e mais uma vez elas me escapam.
Nada é nosso o bastante.
Até nossa própria vida que achamos ter um certo controle.
Um dia ela também escapa de nós.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DO QUE AINDA NÃO SEI [2]


Machuca mais saber que há algo que não sei
Do que simplesmente não saber

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 23 de abril de 2009

DO QUE AINDA NÃO SEI

É difícil falar sobre as coisas que nunca havíamos pensado antes. Trabalhar com o inesperado e saber que dali pode sair uma grande questão. Deparo-me com coisas que eu simplesmente não sei. Mas não por não saber de fato, mas porque eu nunca havia pensado em qualquer tipo de possibilidade remota de sua existência. Dar ritmo, forma, contorno e limites a esse tipo de coisa tem me soado um tanto quanto nada. Me parece que venho construindo casas no ar. Estradas a voar. Tudo se esbarra e nada se encontra.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 22 de abril de 2009

SOBRE MEUS DIAS

Ultimamente tenho vivido minha vida assim como tenho acompanhado as histórias dos livros. Levo tudo muito bem até a vigésima página. Depois largo, esqueço, desisto. Me cansa. Me basta. Não me cabe. Tudo me parece muito ou quase nada. Não termino nada que começo e arranjo explicações dentro de lógicas ilógicas. Parece perda de tempo. Parece falta que não se preenche. Parece abismo pronto para se saltar. Folheio o que me falta e nenhuma palavra salta e me prende. Nada me faz continuar e ver o fim.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 21 de abril de 2009

RESSURREIÇÃO


Esses pensamento que me corroem por dentro. Que me aprisionam. Fazem eu ter medo do que eu sou. Do que eu fui. Do que deixei de ser. Me conheço, mais vejo cada ato conseqüência de cada traço meu. Me revolto e não admito. Não aceito. Conhecer o que me causa. O que me leva. O que me faz ser quem sou. Esse tipo de conhecimento tem me aprisionado em meus pensamentos. Fujo deles por alguns minutos e eles me encontram. Reavivei sepulturas. Fiz culto aos mortos e eis que o cemitério todo se levanta. De volta à realidade como zumbis a espera de algum tipo de antídoto que lhes dêem vida. Eis que meus sentimentos assim ressurgem. Estranhos a mim, mas parte daquilo que venho buscando do fundo do meu ser. E não sei quantos mortos ainda levantarei. Mas sinto que é só o começo.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

segunda-feira, 20 de abril de 2009

NÃO ME PEÇA

Não me peça para parar de te olhar, não entendes que o brilho de teus olhos que alimenta minha alma, que me faz caminhar e querer ser mais do que sou.
Não me peça pra não te olhar tão fundo, pois vendo tua alma que me vejo, que me reconheço em você e em mim.
Não me peça para não te seguir, pois teu passo é meu passo e sem você perco o caminho e ando ao léu.
Não me peça para seguir sozinha, pois com você que aprendi a andar, não me deixe sem guia, pois eu posso me perder de você e nunca mais te encontrar.
Não me peça pra eu me perder de você, pois assim me perco de mim, pois assim me perco do mundo, perco o chão, perco os sentidos, perco as palavras.
Não me peça para te esquecer, pois em cada poro de meu corpo exala teu cheiro.
Não me peça nada além de ficar com você eternamente, pra sempre juntos, num só momento, num só espaço, num só corpo.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 19 de abril de 2009

QUANDO CONHECI MAIS DE MIM

Eu não posso ser o que você quer que eu seja, então me deixe respirar só. Eu não posso ser pra você o que você quer de mim. O meu melhor é aquilo que pude te mostrar. É o que sou hoje e você parece nem ligar. Isso que sou é o como eu sei ser. Tentei mudar, mas a mudança não fez de mim alguém melhor. Não me reconhecia em mim. Não precisa ficar com o que hoje sou. Não precisa gostar de mim assim como estou. Mas de verdade eu estou bem comigo assim, e se você não está isso já não é mais tão importante. Consegui encontrar algo dentro de mim que é só meu e que pode viver sem você por perto. Parte disso me faz ser melhor do que quando estou com você, por isso não tenho mais tanta certeza sobre nós. E se for pra voltar será do meu jeito. Sem regras impostas e sem cronogramas a seguir. Amores não marcam horas na agenda.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

Afetos fragmentados


"[...] Sempre tive a sensação de mal-estar no mundo, uma sensação de não caber no meu espaço, um desconforto diante de meus pares – eu me pergunto: tenho pares? Eu sabia que em mim há uma mulher que tento esconder ferozmente. Tenho medo que as pessoas identifiquem meus excessos, essa quantidade absurda de pernas e braços que camuflo sob a roupa que visto. O que diriam se soubessem das muitas que vivem em mim e tentam bravamente, numa luta corporal, projetar-se do meu corpo? Tomariam-me por uma aberração?[...]"

[Clarice Lispector]

sexta-feira, 17 de abril de 2009

DO QUE ME CABE


Cabe a mim ser o mais íntimo de meu ser
Cabe a mim encontrar minha essência e me deixar guiar por ela
Cabe a mim caber somente a mim
Obedecer o que me convém
Dentro de estratégias não tão lógicas e talvez surreais
Não preciso da aprovação dos demais para ser-me
Já me bastam aquelas que a vida nos obriga a receber
Quero ter só mais uma
A (a)provação de mim comigo mesma
E se eu estiver de acordo...
Isso definitivamente tem que me bastar.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 15 de abril de 2009

PARADA


Parada
Parada
Parada
Nenhum toque
Nenhuma nota
Nenhum som
Nenhum movimento
Parada
Parada
Parada
Recolha o corpo
Providencie o caixão
A morte chegou mais cedo
A vida fugiu do corpo
Parada
Parada
Parada


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

terça-feira, 14 de abril de 2009

POSSIBILIDADES QUE PARALIZAM

Não agüento mais o nada, o talvez e o quem sabe. Não agüento não ter mais certezas. A verdade se esvaiu e foi pra vala. Estou num mundo de interrogações. Eu não quero as possibilidades, quero o que é. Quero conclusões. Quero ter certeza de saber pra onde estou indo. Não quero ter vontade de voltar. Quero seguir, ir adiante. O desafio de nada ser e poder ser o que quiser não me tem sido confortável.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

sábado, 11 de abril de 2009

DO MEU CAMINHAR


Ecos que seguem
Vazios ocos
Caminhos sem fim
Retornos ovais
Algo me persegue
E me leva quase sempre para o mesmo lugar
Ou para lugar nenhum

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quinta-feira, 9 de abril de 2009

APRENDIZAGEM


A vida me ensinou que viver é muito mais que sentar na janelinha.
É preciso botar a mão na massa descer do vagão e deixar algumas coisas passarem.
De vez em quando precisamos fincar raízes em solo firme.
Plantar bons frutos e fazer uma boa colheita.
Não dá pra viver levando a vida a uma certa distância pra se proteger.
Não dá pra controlar e premeditar tudo.
É preciso ter sofrimento pra reconhecer as alegrias.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

quarta-feira, 8 de abril de 2009

COMO UTILIZAR MAL O TEMPO


Sei lá... Sei lá...
Tenho tido tempo de sobra.
É tanta sobra que tenho jogado fora
Tem ido pra vala, pro lixo
Tenho perdido meu tempo.
Cada mísero segundo
Tudo isso porque tenho gastado ele com você
Você que não vale nada
Meu tempo não merece mais ser gasto contigo
Nem o tempo que me sobra
Quanto mais o que me falta
Pois é escute bem
Eu não gasto mais meu tempo com você


-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

domingo, 5 de abril de 2009

SEM LUGAR


Me remexo...
Me reviro...
Me contorso...
Na cama.
Procuro um lugar
Não me encaixo.

-=Þëqµëñä Þö놡zä=-

Obrigada


Gostaria de agradecer o selinho que ganhei da Willa.
Muito obrigada querida, sempre fico feliz ao receber esse tipo de carinho.
Isso demonstra que tenho plantado e colhido bons frutos nesse mundo blogueiro.

Beijos a todos!

P.P.

sábado, 4 de abril de 2009

Afetos Fragmentados

[...] "O que eu sou para você não é verdade
O que eu sou para você, você não precisa
O que eu sou para você não é o que você significa para mim
Você me dá milhas e milhas de montanhas
E eu pedirei...

O que eu te dou é somente o que eu atravesso
Isso não é novo, não, só mais uma fase para atravessar
O que eu realmente preciso é o que me faz sangrar" [...]


[Tradução de um trecho da música "Volcano" de Damien Rice]