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quarta-feira, 12 de maio de 2010

VENTO BOM



















Tá tudo tão quieto.
Tudo tão manso.
E vem você como uma corrente forte de ar frio abrindo minha janela.
Me invade.
Vento bom. Muito bom
Eu sempre gostei dos fins de outono.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

DE QUANDO PRECISO DE VOCÊ

Não sei bem ao certo as coisas que me levam até você...
É como se houvesse uma força que me puxasse e me levasse ao teu encontro. Vou até você tremendo. Cada vez mais perto mais meu corpo flutua em terremoto. Uma onda que mais parece um Tsunami. E teus olhos pequenos lá embaixo me vendo. Assustado como se eu fosse demais pra você. Como se tudo isso fosse demais pra você. Parece que mais uma vez te sufoco.






"Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo, você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito, muito de você."

(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SOBRE NOSSO JOGO

Sem muitas delongas. Sem grandes pedidos. Sem muitos pesares. Digo que abandono o jogo, porque não trato o amor como sorte ou azar. Não vim aqui pra ganhar ou perder. Ter ou não ter. Queria compartilhar com você a minha vida. Mas está sempre de partida. E em nossas partidas sou sempre eu que fico partida. Fico com aquela sensação de jogadora em nocaute. E quando você volta pra mais um de nossos jogos, finjo que dessa vez eu vou ganhar. A única coisa que ganho são migalhas de tempo com você. Não quero ser nem jogadora nem mendiga de amor. Restos? O amor é mais que sobras. Você janta com ela e eu fico com o que sobrou. Isso quando sobra algo dos jantares. Quantas vezes tivemos que desmarcar nossos encontros porque nem sobras você teria pra mim?! Me retiro de campo nem como ganhadora, nem como perdedora. Mas como eu. Com a parte de mim que queria compartilhar com você. A tomo de volta ferida e lascada, mas a se recompor. Tua presença-ausência tem sido mais nociva do que tua falta por completo. Porque não é tua falta que machuca, mas a esperança ilusória de que você é uma parte minha também. Somos cartas de baralho perdidas em outros jogos. Jogos incompletos. O fim nunca é o fim porque a gente termina antes de acabar o segundo tempo. Faltam regras e condições em nossos jogos. E ao invés de discutirmos sobre elas deixamos como está e nos viramos pra seguir a vida até a próxima partida. Então agora imponho algumas regras pro jogo que você quer jogar. Primeiro não tratar nossa relação como um jogo. Segundo nesse (não)jogo eu só jogo de dois, eu-você e mais ninguém. Terceiro nossa partida não tem hora pra acabar, porque aqui não importa ganhar ou perder, mas estarmos juntos de verdade. Coisa que nunca estivemos. Quero um amor sem hora marcada na agenda.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

UM CONTO DE UM ENCONTRO (PARTE 2)

Indico que leiam ouvindo a canção da Tiê - Aula de Francês




Foi em um janeiro que eles voltaram a se encontrar. Ali sentados naquele café de uma esquina francesa qualquer, puderam praticar suas línguas conterrâneas. Puderam compartilhar causos e acasos de suas vidas. Perguntaram de si como se investigassem suas próprias vidas. Mas nada ali foi intimidador. Parecia que se conheciam ha anos. Conversavam como dois amigos de longa data com uma intimidade e afinidade conquistadas ali, no agora, na relação. Carolina lembrou da passagem que tiveram. A primeira vez que se viram. Pedro disse que se lembra bem. Porque ficou com aquele rosto em sua cabeça durante todo esse tempo que se passou. Também teve vontade de pará-la, mas deixou ir, pois aquele era seu ultimo dia no Brasil e sua vida estava complicada demais pra arranjar mais dores pra sua partida. Carolina assim entendeu porque nunca mais Pedro havia passado naquele lugar durante todos os dias que ela esperou por ele. É claro que ela ainda não falou com ele sobre sua espera. Parecia ainda não ser o momento, a hora certa. Carolina guardava ainda segredos pra si, principalmente aqueles que pudessem deixar aquele encontro com sabor de pesar. Decidiu apenas aproveitar, sentir aquilo como se fosse um ultimo suspiro. Depois do café, andaram pelas ruas conversando e rindo. Olhar para a paisagem era casual, quase um charme da relação. Esqueceram de seus compromissos e o tempo que tinham fora dali, daquele encontro. Dividiram-se trocando partes de si. Já de madrugada, depois de passarem o dia todo juntos apenas conversando, Pedro levou Carolina até seu hotel. Carolina enquanto caminhavam ficava se perguntando se pedia pra ele subir ou não. Quando chegaram, não fez o convite, ele apenas deu o endereço de sua casa e seu telefone. Ela pegou o bilhete dobrado e guardou no bolso, sem trocar seu telefone com ele. Ele ficou apenas com aquele sorriso encantador no rosto esperando retribuição. Não houve e ele não pediu também. Ele sabia onde procurá-la se quizesse. Num abraço apertado se despediram com um beijo leve e demorado no canto dos lábios. Ela subiu até seu quarto no 7º andar e olhando o relógio viu já estar atrasada. Eram 02:37. Seu vôo para o Brasil sairia ás 03:15. Pegou suas malas e chamou um taxi para o aeroporto.

domingo, 2 de maio de 2010

NOSSO TRIZ

Senti. Menti quando te disse que os sentimentos se esvaem e evaporam feito bolhas de sabão. Porque em mim as coisas fervem. Borbulho sempre num risco de derramar. Mas fica sempre por um triz. Ficamos sempre nesse triz. Nos entre caminhos que nos rodeiam. Quando nos vemos, nossos corpos parecem tremer como se chamassem um pelo corpo do outro. Cada vez mais perto mais sentimos cada célula do nosso corpo se bagunçar, como se nossos corpos buscassem outras formas pra se acoplar. Meu corpo quer fagocitar o seu. Quando nos somos, já somos outros em nós. Tenho procurado ultimamente palavras discretas e em curtas frases te dizer o que meu corpo grita. É como se não precisasse expor em palavras algo que exala de mim em visão, tato, olfato e paladar. Você me alcançar em audição vira mero pretexto.

sábado, 1 de maio de 2010

SOBRE MEUS ARRANJOS



Nos meus desconcertos
Encontro arranjos que me deixam de pé
Então me toca de leve pra que eu não desmorone.

terça-feira, 27 de abril de 2010

NÓS(SOS)

Nossos nós distantes
Longe tão longe
E nós presos
Longe... perto...
Presos em nós mesmos e em nós dois.
A gente nem vai junto e nem vai embora.
Ficamos
Distantes e perto dos nós.
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O que criamos para nós ficará guardado em nós difíceis de desatar. Talvez permaneçamos assim embolados e fechados. Do tipo de caso que de tão mal resolvido bem está.

domingo, 25 de abril de 2010

NÃO SE VÁ



Nesses meus encontros musicais, que ultimamente tem sido tantos.
Compartilho minha dor, sentimento, afeto com aqueles que transformaram suas melancolias em poesia e canção.
Me encontro em tuas palavras e melodias.






"Espero que você não se vá
Se eu não tiver nada mais para te contar
Não sei dizer, quem dirá?
Talvez numa segunda fria
Ou num domingo de sol pela manhã
É triste sim, eu sei
Duas pessoas em silêncio
Sempre dão tanto o que falar
Então me espere na terça
Ou depois de amanhã
Quem sabe?
Na quinta ou sexta, no mais tardar
Eu direi
Não se vá"

(Não se vá - Thiago Pethit)

sábado, 24 de abril de 2010

DOS MEUS CACOS


O barulho de garrafas se chocando me (in)comoda em demasia.
Deixa parado então.
Não quero choque. Quero sossego.
Se chocar e quebrar? Eu não vou saber o que fazer com os cacos.
Não quero cacos além dos cacos meus que ninguém quer nem eu.


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Ao menos quando algumas coisas já estão em cacos a gente junta.
Agora quando ainda tem que se tomar a decisão de se atirar do alto pra se estraçalhar...
Paro.
Penso.
Não consigo.
Ainda
(...)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ENTÃO VAI VOAR PRA LONGE DE MIM...






Te vejo distante. Te deixo ir. Eu ainda estou aprendendo sobre medidas. Talvez tenha calculado errado quando achei que eu caberia na tua vida.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ENGARRAFADA

Joana. 32 anos. Nem magra nem gorda. Cabelos longos e pintados de vermelhos, mas com a tinta já para retocar. Não era uma mulher de manias. Tinha uma apenas. Juntar garrafas. Catava todas que via pela rua. Das que tiveram a vida mais alegre na mão de um adolescente em meio a um show animado. Até a garrafa de um bêbado chorando lamúrias em uma esquina qualquer. Todas eram lembradas e guardadas por ela. Todas as garrafas que pudesse. Sua casa já não se via mais nada a não ser garrafas. Ah é claro e todas eram de vidro. Elas eram muito bem cuidadas. Assim que chegava em casa Joana lavava e tirava o rótulo uma a uma. Todos os dias olhava para elas com encantamento. Sentia-se tão só e abandonada quanto elas. Cuidava delas como gostaria de ser cuidada por alguém. De uma sutileza e amor muito amor. Tanto amor que começou a perceber que de tanto amá-las acabou por aprisioná-las. Nesse amor acabou por cultivar um de seus maiores medos: perdê-las. Com um tempo passou a perceber que todo o cuidado e carinho que as deu já havia sido o suficiente e agora elas precisavam voltar para a rua. Precisavam correr riscos e porque não? Quebrar. Sim elas precisavam correr o risco de virarem cacos. E junto com suas garrafas espatifou-se no chão. Deixou-se derramar junto com as garrafas. Engarrafada de pensamentos, medos, anseios e dores foi (des)engarrafando em meio a dança e poesia fazendo um convite a todos para se engarrafarem. Dividindo garrafas em meio a desabafos e permitindo que algumas pudessem se quebrar. Não sem dor. Não sem choro. Mas se permitindo deixar ir.



Inspirado na apresentação da Companhia de Dança "Centro de Experimentações em Movimento" com a peça "Engarrafada.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

UM CONTO DE UM ENCONTRO


Essa moça passava todo dia pela mesma rua. Procurava pontualmente a distância e marcação exata dos ponteiros de seu relógio. Devia ser tudo sempre o mesmo daquele dia tão incomum que ela o viu passar. Foram dias, semanas e meses e nenhum sinal daquele rapaz belo que a conquistou. A repetição dos dias por ela não fez com que ele repetisse os dias dele para encontrá-la. Então ela desistiu. Mudou de esquinas. Mudou de horários. Deixou seu ponteiro girar de volta ao fuso normal. Mudou de cidade e de país. Até que um dia sem planejar, sem nem ao menos lembrar daquela tarde de setembro, ela o viu passar mais uma vez a sua frente. Só que dessa vez ela o cumprimentou e o chamou pra tomar um café.





P.S.: Talvez essa história não termine por aqui...

terça-feira, 20 de abril de 2010

DA MINHA ESPERA [2]




Aquela vontade de falar com você permanece em mim calada.
Brota em sussurro e devaneio.

DA MINHA ESPERA



Então diz que não vem pra que eu possa parar de esperar por ti.

sábado, 17 de abril de 2010

DE NOVO













No meio dessa história fico pensando que talvez eu acabe perdendo espaço junto com meu passo.
Não sei se é aparência ou realidade.
Não sei qual confusão me confundiu.
Me sinto frágil como se me quebrasse a cada momento de novo... de novo... de novo...
Mas não vejo nada de novo.
Sempre velhas formas revestidas de novo... de novo... de novo...
E eu sempre tão velha e passada, com palavras já gastas e usadas.
Meu discurso já não cabe em mim.
Invento apenas novos arranjos desarranjados.
Me causam incomodo e ânsia de vômito.
Me falta fome de seguir e procurar mais do que me alimentar.
Sempre de barriga cheia, satisfeita, sentada a espreita.
Esperando de novo... de novo... de novo...
Preciso trocar os sentidos.
Tenho andado ao contrário do avesso que poderia ir ser tido.




"E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. "
[Tati Bernardi]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

DE NOSSAS MARCAS ENCRAVADAS

Então sei lá... Foi no teu corpo que pela ultima vez compartilhei meus vestígios. Nos trocamos em cada fissura de nossos corpos até nos invadirmos pelos poros e no fim da noite acabamos por exalar o outro. Marcamos nosso corpo como o senhor de engenho marca teu gado. Nossas digitais trocadas fazendo perder a identidade em território alheio. Então me desfiz quando te deixei. Mudei de nome, endereço, cortei o cabelo, abandonei amigos, deixei pra trás tudo aquilo que pudesse trazer você em lembrança de volta pra mim. Mas tua pele estava encravada no meu corpo e nenhuma mudança que eu fizesse seria o bastante pra te desencravar de mim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SOBRE NOSSA DANÇA


Senti tua pele pegando fogo. Nossos corpos dançavam como se já soubessem a coreografia que inventávamos ali no instante. Entre pegadas e suspiros ofegantes nos estragávamos um ao outro nos deixando guiar. E já não se podia saber se era eu ou você no comando. Porque não havia dois. Éramos um. Entre amassos e abraços nos confundimos em outros corpos. Nos confundimos em nós mesmos. Os passos largos que dávamos pareciam pequenos, como se tão perto ainda houvesse uma distância de um abismo entre nós. Da ordem de uma impossibilidade a ser botada a prova. Quem seria o primeiro a ousar rompê-la, invadi-la? Então ficamos assim pelos vãos. Pelas esquinas do acaso. Pelos murmúrios do destino. Pelos percalços do querer. Num deixar estar silencioso que chega a ensurdecer.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A MELODIA DE BONNY DUNDEE



Eu não tenho costume de postar qualquer coisa que não seja por meio dos códigos das minhas palavras em versos.
Mas devido ao momento musical e pensante no qual me encontro quero compartilhar essa música com vocês mais uma vez, agora em som e vídeo... deixou de ser só palavra em verso.
Poesia cantada tem que ser bem apreciada e compartilhada quando se vale a pena.

Essa banda é do meu Estado, o Espírito Santo. Gosto muito da banda Solana e em particular essa música, mais ainda nesse momento que me cabe tão bem.
Então para os que leram a letra que postei no post anterior e até mesmo pros que ainda não leram apreciem a melodia.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

VOCÊ VEM QUANDO QUER EU TE QUERO SE MESMO NÃO VEM


"Quem ficou ?
Eu acho que os dois: esperando um outro dia arrefecer.
Quem sofreu ?
Eu acho que ninguém: você vem quando quer eu te quero se mesmo não vem.
Eu não tenho frescor de quem se banha em mar,
mas venha que eu posso te deixar mais leve.
Você pode até gritar.
Amanhã ?
Eu acho que vou duvidar: você podia parar de uma vez em mim.
Eu não tenho frescor de quem se banha em mar,
mas venha que eu posso te deixar mais leve,
você pode até gritar.
Quer saber ?
Eu acho que vou aprender a pintar, talvez amanhã."


(A melodia de Bunny Dundee - Solana)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DOS VERBOS QUE CONJUGO

Então eu digo sim e você diz não. Então eu digo não e você diz sim. E a gente vai brincando de desdizer o que se disse. Vai inventando de inventar o que não existe. O que já é deixa de ser sendo... passando... vivendo... Vai longe. Bem longe. O que fica é só o instante que já foi. Nada é. Sempre está. Estandando estou estendo estado. Sempre me perco nos tempos dos verbos que conjugo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

DOS MEUS CHÁS E CAFÉS


Que tempo é esse o tempo da espera? Quanto dura a espera de esperar? Quando se está pronta a esperar será que se planeja tempo cronometrado? Então se espero porque gosto já deixou de ser pelo gosto de depois da espera e passou a ser só a espera por si só. Então troco as esperas, muda-se o foco com o mesmo objetivo. Por fim espero, e mais uma vez prorrogo pro amanhã meus verbos sempre defectivos conjugados no futuro do subjuntivo.

domingo, 28 de março de 2010

QUANDO NÃO SEI DIZER


Não é só saudade
Não é só falta
Não é só arrependimento
Não é só culpa
Não é só insegurança
Não é só incerteza
Não é só dúvida
Não é.
E mesmo afirmando na negação
Sei que tudo isso não deixa de ser
Ainda que não seja.
Não, não é.
E nem ouse perguntar o que é então.

"Eu não sei por que
Eu teimo em dizer
Que amo você
Se eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer... "
(Zeca Baleiro)

quarta-feira, 17 de março de 2010

AINDA SOBRE INVENÇÕES DA VIDA...


A gente inventa de que pode fazer tudo. Vai lá delineia caminhos que parecem espaços vagos onde se pode caminhar. Até o banho da realidade mostrar que o caminho na verdade são, no plural em sentido e significado, caminhos e que eles se cruzam e as linhas desses caminhos que pareciam retas na verdade são curvas diversas que se transpassam e perpassam e optar por uma delas é condição para se seguir. Ás vezes dá pra se voltar de hora em hora. Brincar de passear pelas ruas no meio do seu tempo vago preenchido de compromissos comprometidos com você. Então não sei, viro, desviro, dobro, desdobro as esquinas pra tentar estar em todos os lugares um pouco de cada vez. Compartilhar. Me partilhar. Me partir. Entre caminhos me sinto muito mais em partidas que em chegadas me percebo como não inteira naquilo que faço. Então que fiz? Brinquei de dançar apenas? Me dizem que não posso dançar todas as músicas na mesma hora. Preciso escolher uma de cada vez, ao seu tempo, não no meu tempo. Com meu tempo que me falta dentro do seu tempo. E que tempo? Onde está esse tal tempo para que nós possamos negociar minhas horas?

"Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára..."
(Lenine)

sábado, 13 de março de 2010

DO QUE INVENTAMOS


Antes fosse só saudade proclamada em verso. Da que inventamos pra suprimir a que está calada em nós. Fala nos versos que insistimos em dizer que inventamos. Invenção de vida vivida. Vivi o que inventei. Inventei de viver. Nas invenções da vida, sobrou até de inventar de sofrer.

terça-feira, 9 de março de 2010

DO MEU AMAR [2]


Não é amar
Nem como o mar
Talvez seja vento ventania
Ou uma simples calmaria
Não é que eu não sinta
Muito menos minta
Mas traz paz
Num silêncio mordaz






"Mas levo esse amor
Com o zelo de quem leva o andor
Eu velo pelo meu amor
Que sonha"
(Chico Buarque)

sexta-feira, 5 de março de 2010

DO MEU CRIME


Meu único crime foi a tentativa de assassinato que cometi contra nós dois. Queria matar a nossa saudade, que achei ser nossa e era só minha. No fim o atentado contra a minha saudade recaiu sobre você como uma ofensa a sua liberdade. Invadi teu espaço, este que eu já acreditava compartilhar sem precisar de permissão. Não tinha visto e mais um crime recaiu sobre mim. E como estrangeira voltei pra casa me sentindo fora da lei, fora de rumo, fora do amor.

DO MEU AMAR


Você me olhou e disse que queria tentar mesmo sabendo dos riscos das farpas e marcas que levava comigo.
Eu olhei pra você e neguei teu amor e carinho muito mais por mim do que por você. Eu sabia que ia te machucar, mas eu sabia que me machucaria muito mais receber esse amor que eu não sabia amar.





"Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...
Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe [...]"
(Chico Buarque)

quinta-feira, 4 de março de 2010

SOBRE MEUS VERSOS (TRISTES)

Se achas meus versos tristes é porque não entende a poesia de minhas palavras
Escrevo cantando a beleza de se viver
A vida é alegria por si só, mesmo quando se está a sua espera
Talvez seja pretensão minha achar que você deva entender meus traços
Mais pretensão ainda achar que eu me faço por entender
Então solto tudo a você deixando que agarre o sentido que quiser
A espera de que nossos sentidos se encontrem e se agarrem juntos enfim
Porque de um jeito ou de outro a gente sempre se entende



"Eu só sei que cansei, enfim; 
Dos meus desencontros; Corre e diz a ela que eu entrego os pontos"

(Chico Buarque)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

MÚMIA


Adiei tantas decisões na espera calma e tranqüila de que as coisas iriam tomar caminho sem mim. Ilusão que eu já entendia na minha frente, mas tapava com um lindo pano branco. Fantasiava meus medos achando que eram belas fantasias e no fundo eram fantasmas a me assombrar. Todo dia a acordar pensando que... “ah deixa, amanhã eu resolvo isso”. E foram muitas manhãs de amanhãs que permaneceram intactas, imóveis. E eu a me arrastar feito lagartixa sem perna no jardim. Cada passo um esforço de me tirar o brilho. Não quero me mover. Permaneci assim feito múmia. Embalsamava meu corpo deixando que o ambiente fizesse o resto por mim.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DOS MEUS VAZIOS E ESCONDERIJOS

Vi espaços vazios e papéis em branco amassados ao lado da cabeceira. Olhei ao redor e o silêncio imperava não só em meu espírito, mas no que me cerca e me prende. Os ruídos da goteira do ar condicionado que a mais de um mês está para ser concertado é o único tipo de barulho que ouço quando vou me deitar. Pensamento? Já nem sei o que são há tempos, pois me deito tão embebedada de cansaço que se quer me dou o direito de alguns minutos de devaneio antes do repouso noturno. E fujo mais uma vez. Deixo o silêncio. Trago a dúvida alada. Vários apêndices em mim que insistem em ficar fora. De fora. Para fora. Dentro? Só o vazio do ar que me falta e do qual sempre me contento. Não busco mais. Não busco nada. E me escondo mais uma vez.


Foto: Gaena da Sylva

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PROMESSAS DE ANO NOVO


Menino: Mãe porque no começo de cada ano todo mundo faz promessas?
Mãe: Por que as pessoas sempre tem esperanças de um ano melhor do que o que passou.
Menino: Mãe, mas porque as promessas nunca mudam?
Mãe: Por que as pessoas acham que tem tempo suficiente e sempre deixam pra depois as promessas que deveriam cumprir hoje.
Menino: Mãe eu acho que eu sou um pouco como as pessoas também.
Mãe: Por que meu filho?
Menino: Por que eu também prometo sempre que não serei tão bagunceiro, mas eu não consigo.


Mãe e filho se abraçam e riem juntos num sorriso compartilhado de cumplicidade, amizade e amor.





Feliz Ano Novo para todos que visitam e acompanham meu blog!
Paz e amor a todos!
Que façamos valer nossas promessas.


Beijos da Pequena Poetiza!

domingo, 27 de dezembro de 2009

sábado, 26 de dezembro de 2009

DOS MEUS SINAIS



Eu queria ser mais explicita a você sem precisar de uma sirene e luzes florescentes.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

SOBRE SER AMADA



Tenho que aprender a viver mais sem você. É bom ter com quem trocar carinhos e palavras de amor, mas eu não posso continuar prendendo você a mim. Me viciei na tua companhia mas eu não te amo. Gosto do que me proporciona, mas não porque é você quem o faz. E sim porque sinto falta, porque gosto de ser amada. Que mulher não gosta de se sentir querida? Infelizmente temos chegado a um momento de muitas cobranças e quando comecei a perceber que os juros estavam altos demais eu vi que não dou conta de pagar. Teu amor me consome demais e vejo que tem sido uma troca injusta pra você. E todo o amor que você me dá agora vem me fazendo muito mal. Nossos jogos e apostas terminam por aqui.
Talvez meu maior erro tenha sido em querer ser feliz sem perceber que você só queria me fazer feliz.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DOS MEUS REFUGIOS









Pra não te ligar mais uma vez me refugio em versos sobre você.
Porque eu insisto em pensar em te procurar sempre que minha mente se mantém desocupada?

sábado, 19 de dezembro de 2009

QUANDO SEI


É quando você me olha com esse meio sorriso nos lábios e me toca tirando meu cabelo do rosto.
É quando eu converso com você e você segura minha mão me olhando bem fundo.
É quando você me abraça por trás me envolvendo em teus braços me protegendo do frio.
É quando você me beija de leve no pescoço e vai subindo até chegar num beijo quente na boca.
É quando você me pega, me segura, se encaixa.
É quando tudo isso junto acontece como um fenômeno de graça que eu sei...
É quando eu sei que isso tudo é pra valer.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

SOBRE O REAL

Foto: Catarina Krug

A minha falta com a escrita consiste na minha presença maçante na vida em ato. Nem sempre acho isso tão bom. Tanto a escrita quanto a fuga para vida são meios de fugir do real. Estranho isso?! Mas é que existem várias maneiras de se viver. Ás vezes parece que sempre busco aquela que me tira um pouco do real. Muitas vezes na escrita me sinto muito mais dentro da realidade do que fora dela. Isso tudo me parece muito louco e bizarro. O que é real? Se não a própria história que contamos para nós e acreditamos nela. Porque não posso chamar isso de real? Só porque não se parece com a realidade do outro? E vivamos em realidades diferentes que saibam dialogar, mas que tenham seus espaços de ser um a cada momento. Eu quero poder criar e reinventar o real a cada instante. Fazer de conta que a vida é assim e de tanto fazer acabar sendo. Porque não?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

SOBRE ARTIFICIALIDADES


Vejo tudo com tanta artificialidade. Sorrisos, lágrimas, abraços e socos. Parece que nenhum tipo de sentimento representa de fato o que deveria ser. Vejo demais com meus olhos de dentro.
Os que não reagem como eu serão falsos? Ou serei eu a própria falsidade que não consigo ver? E será que só porque é diferente precisa ser ilegítimo?
Deslegitimamos o tempo inteiro atos e sentimentos como se fossemos donos da verdade do outro. Já tem sido difícil tomar posse de nossas próprias verdades e queremos dar conta das do próximo. As críticas e desconfianças excessivas tem me irritado em demasia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

SOBRE A VIDA

Não sei. A vida é curta e tão pequena. Ocupamos apenas um limiar do que de fato ela representa e é. Mas o que ela é e representa eu não sei. Temos nossas maneiras particulares de nos dizermos e nos colocarmos para a vida. Seja quando a enfrentamos ou quando a negamos. Cada um vivendo um mundo próprio e solitário achando que só ele próprio é capaz de entender. Sem permitir compartilhar numa comunhão de bens o que lhe pertence para que juntos sendo proprietários do mundo deles possam tornar o fardo de viver mais leve e mais natural. Porque viver é natural, nós é que somos seres artificiais demais para a vida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Versos Fragmentados







"A felicidade só é real quando compartilhada."
Frase retirada do filme "Na natureza selvagem"

domingo, 29 de novembro de 2009

DOS MEUS CAMINHOS


Ei, você. Que dizia saber tanto sobre mim. Me responde agora que já não sei mais. Me diz que traços contam minha história? Que linhas ainda tenho a percorrer? Nesse mapa errado de traços apagados eu já me perdi de mim.

sábado, 28 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

DAS TUAS MARCAS


Eu queria não ter que me lembrar de você na minha pele. Teu gosto. Teu cheiro. Teu suor. Está tudo impregnado em mim. Tuas digitais marcadas em meus seios. Sinto no relevo da minha pele cada parte do meu corpo que você tocou. Não adianta lavar. Nem a bucha já gasta de tanto esfregar meu corpo conseguiu tirar você de mim. Invadiu meu ser. Está dentro e fora. Meu corpo fica exalando você o tempo todo. Já não resta em mim nada que não venha de você. Mas é tudo resquício. Foi só o que ficou. É a forma do meu corpo pedir por você mais uma vez.

domingo, 22 de novembro de 2009

QUANDO VIRAMOS NÓS


Estranho jeito esse meu de me aproximar do teu corpo, da tua pele, do teu toque. Cada contato sinto meu corpo vibrar. Me afasto. Tenho ido perto demais num curto espaço de tempo. Eu não consigo chegar até você sem sempre buscar voltar ao ponto de partida. Nós dois me desconcerta. Me desarruma. Voltar é ter a segurança de que em algum lugar eu tenho o chão que você não me dá. A vida não é só feita de asas. A gente também precisa pousar.

sábado, 21 de novembro de 2009

Versos Fragmentados

"Meu mestre amado,

Não tenha medo.
Não se mova.
Não fale.
Ninguém irá nos ver.
Fique onde está. Quero olhar para você.
Temos a noite toda para nós e quero olhar para você.
Seu corpo para mim.
Sua pele.
Seus lábios.
Feche os olhos.
Ninguém pode nos ver e eu estou aqui ao seu lado.
Está me sentindo?
Quando eu o tocar pela primeira vez será com meus lábios.
Você vai sentir o calor, mas não saberá onde.
Pode ser que seja nos olhos.
Vou pressionar minha boca contra seus olhos e você irá sentir o calor.
Abra seus olhos agora, meu amado. Olhe para mim.
Seus olhos nos meus seios.
Seus braços me erguendo, me fazendo deslizar sobre você.
Meu choro abafado, seu corpo estremecendo.
Não há fim para isso. Não está vendo?
Você vai ficar para sempre jogando a cabeça para trás e eu estarei para sempre enxugando minhas lágrimas.
Este momento tinha que acontecer. Este momento acontece e continuará a acontecer a partir de agora e para sempre.
Nunca mais vamos nos ver. O que tínhamos de fazer, nós fizemos...
Acredite, meu amor, nós fizemos eternamente.
Mantenha sua vida fora do meu alcance.
E se isso pode fazê-lo feliz, não hesite um só instante em esquecer a mulher que agora diz, sem nenhum vestígio de arrependimento, adeus."



Carta que aparece no filme "Paixão Proibida", inspirado no romance de Alessandro Baricco, "Seda".
Essa carta na verdade é apenas um trecho da carta que está no livro. Partes mais quentes foram cortadas. Confesso que fiquei no mínimo curiosa para lê-la na íntegra.

sábado, 14 de novembro de 2009

DO QUE NÃO VOLTA


Eu to aqui tentando consertar os estragos que fiz da minha vida. Os caminhos que entortei e das lascas que tirei. O tempo leva tanta coisa que não volta nunca mais. Fica só saudade. Só lembrança. Só estrago. Fica só. É, fico. E dos preenchimentos que tento fazer fica sempre com acabamento ruim. Não tem concerto. Nem o sorriso tem mais aquele brilho e as palavras quase nem saem com qualquer entonação. Sei que não fui só eu, mas me deixo com pesos maiores porque são histórias que se repetem. Então de alguma forma isso parece estar muito mais em mim.


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DAS MINHAS FUGAS


Me pego fugindo de tudo. Principalmente das responsabilidades que me cabem. Engraçado é que quando tenho que retornar me vem como uma bomba. Estoura e não sei pra que lado olhar. É sempre assim antes e depois da fuga. A fuga também é estouro. É tudo fulgás. No fim das contas só restam pó e cinzas. E flashs, muitos flashs. Nada por inteiro. E nenhum lugar pra chamar de meu.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

QUANDO FIQUEI SÓ

Aprendi nesses dias a estar só comigo mesma. Não é rejeição do que vem de fora, mas é acolhimento de mim mesma. De respeitar meus pensamentos. De saber ficar horas e horas se ouvindo. A princípio fui forçada a isso, mas quando vi estava pegando o gosto e o jeito. Não me entenda mal, não é que eu não goste ou não consiga estar só, mas das vezes que o fiz foi por escolha e opção. Dessa vez o meio e pessoas me levaram pra uma espécie de solidão acompanhada. E meu falar saia vazio, virando murmúrio no ouvido de outrem. Até que me calei pra falar a mim mesma e minha solidão de só acompanhada ficou preenchida. Consegui me desprender da solidão vazia e triste. Daquele só, cheio de pesar. Pude parar pra pensar em tanta coisa e confesso que não fiz a descoberta da minha vida, nem agora em diante serei uma pessoa melhor e transformada. Não se trata disso. Se trata de pequenas coisas, pequenas vírgulas, pequenos vãos, coisas pequenas que eu não via e só de ver já é melhor, já muda algo, já vai alguns graus pra direita ou esquerda quem sabe. Só virei um pouco o leme do meu barco da vida. Os ventos estão mais suaves e continuo a seguir. Aprendendo a caminhar um pouco mais só, um pouco mais calma, um pouco mais leve. Deixei alguns pesos pra trás.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DA AMIZADE

Horas e horas conversando sobre suas dores percebemos que são minhas dores também. Todas nóias e preocupações que tens compartilho contigo. E mesmo sendo autoras de histórias diferentes os medos e angústias que nos movem e paralisam são da mesma ordem. Quase chegamos a utilizar as mesmas palavras para expressar o que sentimos. Falamos inexplicavelmente a mesma língua.
Uma conexão que está para além de qualquer tipo de explicação e lógica. A verdade é que você me faz muito bem. Conversar contigo e nos percebermos tão próximas me faz sentir que estou menos sozinha nesse mundo maluco. Uma cumplicidade sem cobranças nem juros ou correção monetária. Tudo na medida certa, sem saber a certeza dessas medidas. Sempre estão a mudar a variar. Mas a gente não pergunta o preço simplesmente paga e não com gosto de dívida, mas aquilo que é. Com um prazer de um presente recebido. Nossas conversas tem o frescor das tardes de outubro. Não há tempo ruim e os ventos fortes de tempestade que chegam até nós não derrubam nossas estruturas. Estamos sempre lá firmes. Sei que posso contar contigo amiga. Sabes também que me tens pro que der e vier. E a sabedoria de nossas certezas vem do ar que passamos uma para a outra. Sem medos de perdas e de que nos tire o chão. Na simplicidade e cumplicidade que agradeço por fazer parte do que sou a cada dia.


(Para uma grande amiga que mesmo tão longe se faz tão perto)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SOBRE MEU EGOCENTRISMO

Impressionante que mesmo fungindo de parar pra pensar eu penso. Um bucado de coisas me seguem. Tenho sentido falta da fala. Sentido falta dos expurgos, até aqueles que dei pra parede daquela sala pouco iluminada deitada confortavelmente num divã. Falta demais. O que sobra também falta. O que me parece e sempre pareceu é que tudo diz de algo e que eu de alguma forma estou diretamente relacionado com o que se diz. Eu vejo minha implicação em tudo. Ás vezes até demais, ora também de menos. Mas fala de um peso sobrecarregado. Justificativas plausíveis dentro de lógicas aceitáveis a mim. Sempre a mim. De uma obsessão incontrolável por ver minhas digitais por onde vou. Todo vestígio e resquício me denunciando. Sim, culpada! Com cara de vítima me denuncio culpada de fatos que muitas vezes fui meramente figurante. Aceito toda e qualquer condenação de cabeça baixa. Mentira! Eu disfarço finjo que não é comigo achando que todos estão falando de mim e fingindo não saber. Assuntos que por muitas vezes não me tem como pauta. Saio assim tentando enganar o próprio engano meu.

Pintura: Gustav Klimt

domingo, 18 de outubro de 2009

DE BANDEJA


Bebe do meu sangue
Prova da minha carne
De sobremesa fica com meu gozo até a ultima gota.