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domingo, 24 de outubro de 2010

DESSES GOZOS MEUS

Me esquivo de toda aquela forma de vícios que entregamos um ao outro em forma de presente todos os dias.
Tocas a campainha e eu me escondo atrás da cortina abrindo um fresta pra ver teus olhos esperançosos em me ver. Logo vai embora com ares de perda, cabisbaixo. E diz não saber porque teus presentes retornam com o embrulho intacto de como saiu da loja.
Mais ainda confuso não entende porque eu parei de enviar os tantos agrados que trocávamos em promessas.
De alguma forma tomei conta desse jogo e já não preciso mais corresponder a algo que chega a mim sem eu sinalizar precisão. E todo agrado já me basta só de bater a porta, nem preciso ter em minhas mãos. Não preciso segurar.
De certa forma está agarrado a mim e de um jeito perverso corto a linha a segurando um pouco mais. E de um jeito meigo e delicado desfio cada fio que entrelaça a linha. Até esfacelar o ultimo e sem mesmo que ele percebas partir.

5 comentários:

Guilherme Navarro disse...

A melhor postagem do blog, provavelmente.

Analuz disse...

Veja só!

Um clique errado me trouxe aqui...
adoro os acasos...
Vou ficar...

Abraço!

Jorge Pimenta disse...

entre linhas cortadas e fios desfiados, uma só certeza: a habilidade reside na mão. invariavelmente.
belo texto!
um abraço!

D. Q. M. disse...

"não esondam a loucura" (Allen Ginsberg).

E não escondamos o gozo. Façamos que nem a pequena poetiza.

Bjus!

Boca grande disse...

Não pude deixar de me sentir triste. Tenho dificuldade de lidar com esse tipo de desapego. Não que eu demonstre muito apego, mas no fundo no fundo...

Bjos!