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terça-feira, 25 de maio de 2010

SOBRE FERIDAS

Quando a gente grava na carne e o sangue não consegue estancar
É pra lembrar a cada dia da ferida que você mesma fez a si.
Se não tem esparadrapo que tampe e estanque, deixa exposto
Deixa entrar ar. Deixa respirar. Com tempo as feridas se fecham.




"Alguma coisa morria em mim naquela procura de meta inatingível, desconhecida - e num tempo mesmo algo nascia de repente, puxado não sei de que desvão, de que sombra oculta, de que arca fechada, coberta de poeira, abriam-se portas em mim, janelas quebravam, estilhaços saltavam, pedaços de vidro me cortavam sem piedade, já não via a noite, o dia, o tempo, o espaço onde estávamos, vagávamos no cosmos ou estávamos presos numa esfera conhecida? eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror."

(Caio Fernando Abreu)

2 comentários:

Darlan disse...

Certamente a aimagem que mais me deu aplição aqui até hoje. haha Texto breve, mas visceral, doído. Não trágico, mas conformado com a necessidade de ferir-se para viver.



Um beijo!

Por que você faz poema? disse...

Trago a palavra "amor"
grafada na alma,
ferida que não
cicatriza.